sexta-feira, 28 de agosto de 2015

Férias

Uma vez fui a uma consulta com uma endocrinologista que me disse que os 30 dias de férias tinham sua razão de existir.
E que eu nem ousasse tirar uma semaninha, porque o corpo não entende a mensagem, a cabeça não desliga, enfim, só lá pelo vigésimo dia você começa a descansar de fato.

A dança nos liberta, dançar não parece trabalho, mas, bailarinos, se eu posso dar um conselho a vocês, é este: tirem férias. 

Só assim o corpo se prepara para a entrega diária que o ballet exige da gente.




domingo, 26 de julho de 2015

O palco, enfim

Ontem foi o grande dia. Subir ao palco vestida de Kitry, e depois de corpo de baile de Paquita, com a Bravo! Ballet.
Foram meses de ensaio para alguns minutos de apresentação e valeu a pena, como tudo que é intenso.
Vale lembrar que os ballets da escola foram feitos para adultos que têm outras profissões, mas tivemos a presença de nomes bem significativos da dança, e me sinto muito orgulhosa disso. Ver os bailarinos profissionais no palco inspira e ensina pelo exemplo.
Bom, sobre minha apresentação, ela foi boa. Melhor do que meus medos. Não muito pior do que meus sonhos. A melhor sensação foi a de "estar nas pernas", pois estava forte e no eixo. O único senão foi uma pirueta a menos no fim da variação. Para quem não sabe, no Desafio de Kitry não são mais de 16 piruetas, são 18! Nunca entendi essa conta, haha. Mas enfim, no palco a luz estava cegando e eu, por falsa esperteza, fechei a variação com a attitude e corrida. Não devia. Mas ok.
Em paquita eu curti cada segundo. Dancei feliz como há muitos anos não sentia. 
Estar preparada é tudo.
Mérito dos meus professores!
Bom, agora é descanso e voltamos em agosto com novos desafios.
Muito feliz!!!


Camiseta de ontem. Ela diz tudo.

quinta-feira, 23 de julho de 2015

Último ensaio

Chegamos hoje ao último ensaio de Kitry na escola. Sábado é palco. 
Há dois ensaios estou muito feliz com o resultado, apesar de alternar passagens ótimas com passagens médias. Mas acho importante ter uma média pra ser aquele "presta atenção" que eu ainda preciso.
Não tenho dores, nem dúvidas ou grandes dificuldades. Se eu pudesse pedir uma coisa agora seria um pouquinho da alma dessa espanholinha atacada que irradia felicidade e força quando passa com seu tutu vermelho.
Foi uma delícia ensaiar o Desafio. Sentirei falta. 
 
 
Ensaio do sábado, que uma amiga fotografou. Lógico que vi defeitos na perna (a direita não tá legal). Mas fiquei feliz de conseguir um ângulo ok no sissone. Torçam por mim! 


terça-feira, 30 de junho de 2015

Kitry, nova fase

Bem, como eu havia pensado desde o princípio, aqui vão meus registros sobre o ensaio da variação (Desafio de Kitry): entro numa nova fase em que já executo a coreografia toda, sem morrer. Olé!
Demorei mais tempo pra acertar a micro pirueta que vem depois do développé do começo do que todo o resto. Estava bem feliz com minha Kitry até semana passada. Porque hoje ensaiei com a saia mais longa e tudo se desestruturou. Incrível como a gente não se acha na menor das mudanças. Tudo saiu nas duas vezes que passei. Mas não tão automático e legal. Mais uma pra aprender, dona Ana.
Estou com muita dor nos pés.
As unhas estão chatas e a sapatilha começou a quebrar mais do que deveria.
Hoje é dia de banho com algum amolecedor de cutícula, depois corte das unhas, remoção dos cantinhos com amor e carinho e descanso das pontas amanhã. Os dias ruins também existem e são eles que fazem os outros serem melhores.
Night, night!




sexta-feira, 15 de maio de 2015

Espanholas

Começamos a ensaiar a suíte de Paquita na semana passada e agora divido minhas dores entre o joelho (de tanto que o corpo de baile ajoelha nesse ballet) e as coxas da Kitry. Ainda não defini o que é mais difícil no Desafio, mas já sei o que me ajuda: ver variações antigas como as da Makarova ou da Maya Plisetskaya... Mulheres de verdade, viu? Elas pisam no palco com um astral que invejo mais que as piruetas que vemos em festivais.
Bom, agora estou começando a escolher  o tutu. Não decidi se vou de vermelho ou um rosado como o da Cinthya Harvey. Se faço ou pego emprestado. Muitas dúvidas ainda.
Em breve também quero testar maquiagem, até porque hoje soube que vou ganhar um primer novo da Smashbox pra testar (e não é propaganda, é teste real!).
Vou atualizando vocês.
Beijos!


sábado, 25 de abril de 2015

Desafio

Comecei hoje a ensaiar a variação de Kitry, do primeiro ato, conhecida como a variação do Desafio.
Aí fiquei pensando que pode ser bom escrever sobre os ensaios e um dia ler aqui as emoções que um ballet causam na gente. 
Quem sugeriu esta variação foi a Thomioka, e não pensei muito a respeito, porque eu acho que o bom bailarino, acima de tudo, aceita o que lhe é proposto. Ao menos eu gostaria de ser assim SE eu fosse uma bailarina fodona, o que não é o caso. Mas a proposta que eu sempre tive para a dança é de fazer o melhor dentro do limite. E, veja só, fazer uma Kitry ok já é algo a se orgulhar.
Vamos com fé.
Hoje só arrumamos a versão, que não é diferente das outras que vemos nos vídeos. Não tem muito o que remontar. E, como eu previa, tenho mais dificuldade com os saltinhos nas pontas do que com as 16 piruetas que encerram esta variação. Nota mental: a música é o verdadeiro desafio. Não se apavorar com ela garante o resultado.
Olé! Olha aí a bolha que nasceu e que está devidamente batizada.

quinta-feira, 9 de abril de 2015

Dor muscular vs. na alma

Ontem ouvi uma reportagem sobre adolescentes que se cortam como uma forma de transformar seus problemas de bullying na escola em dores físicas.
Não há dúvida de quanto essa situação seja triste e do quanto esses jovens precisam de ajuda.
Mas me passou pela cabeça que a coisa física realmente traz um conforto para os nossos sofrimentos da alma.
Esta foi uma semana bem difícil. Problemas de todos os tipos disseram "presente" na chamada diária, e tenho razões para acreditar que eles não irão embora amanhã, nem depois, nem depois. 
Mas eu venho desde a segunda-feira sentindo dores das coxas, pela aula maravilhosa que fiz. Bailarinos hão de concordar comigo que algumas dores são do bem. Justamente essas. As aulas têm sido tão puxadas quanto os problemas. E isso está me ajudando a passar por eles de outra forma. 
A gente aprende todos os dias da nossa vida. Com pessoas, coisas, experiências.  Ter problemas, no fim, não é um problema. Mas uma chance de olhar de frente para a encrenca e desfazer o nó.
No dia de hoje, só acho possível estar escrevendo isso porque meus músculos doem. No lugar das amarguras, um pouco de ácido lático. Em vez de brigar, tentar aquela pirueta que acaba ouvert. Se o mundo dos jovens tivesse mais arte, talvez soubessem passar por suas tristezas cortando o ar em belos saltos, e não seus braços.
Night, night, pessoal.

sexta-feira, 3 de abril de 2015

De volta

Depois de mais de um ano ausente, penso que encontrei uma forma de organizar minha tão louca rotina e voltar a escrever.
Decidi isso há uns meses conversando com uma amiga, porque o blog sempre foi um espaço de eu poder pensar em um plano B. E, quando este plano virou uma escola de ballet, o blog acabou ficando de lado.
Mas eu juro que foi falta de tempo. E também medo de associarem o que eu escrevo aqui com a minha escola. Não! Meu blog sou eu. Não é business. É um espaço que precisa de mim tanto quanto eu preciso dele.
Enfim, eu ando sucinta, pois há muito a ser dito, mas as palavras estão enferrujadas. Como voltar a fazer aula depois das férias, talvez eu precise de alguns dias pra musculatura achar aquele ponto bom onde chegou.

Beijos e até loguinho.

Foto depois da aula de ontem. Não levo o menor jeito pra essas fotos no espelho, mas também tenho zero pretensão.

segunda-feira, 14 de outubro de 2013

O Corsário no Cinema

Bailarin@s,

Tenho uma ótima dica para o próximo fim de semana. E ela veio bem a calhar hoje, depois que vi no YAGP um pas-de-trois que quase derrubou o Teatro Alfa abaixo, de tão lindo.
Mais uma vez, por uma iniciativa das empresas de entretenimento no Brasil, vamos poder assistir a uma montagem completa de ballet no cinema! Desta vez com uma da companhias mais famosas de dança no mundo, o Bolshoi, que chega às telas dos cinemas do Brasil com a UCI em uma temporada cheia de clássicos.
A abertura será com a aclamada obra “O Corsário”, que foi inspirada num conto de Lord Byron. Quando fiz faculdade, logo no primeiro ano, o professor de literatura pediu que cada um escolhesse um texto de qualquer autor do mundo para analisar. Adivinham qual foi o meu? Revirei o romantismo do avesso e vou dizer uma coisa: O Corsário é uma das coisas mais lindas do mundo, uma obra que a gente tem que agradecer todos os dias por ainda estar sendo encenada. Isso é cultura, gente!
A montagem de "O Corsário" que o UCI vai apresentar foi gravada a partir de uma exibição ao vivo no palco do teatro Bolshoi, e a produção impressiona o público em uma cena com mais de 120 bailarinos no palco.
Os ingressos para as exibições custam R$ 60 (inteira) e R$ 30 (meia).


Segue a agenda:

O Corsário
19 e 20 de Outubro de 2013


Sábado – às 17h
Domingo – às 14h

Cinemas que irão exibir:

UCI Santana Parque Shopping
Rua Conselheiro Moreira de Barros, 2780
Santana – São Paulo – São Paulo
CEP: 2430-001

UCI Jardim Sul
Av. Giovanni Gronchi, 5819/ 501 a 511km
Morumbi – São Paulo – SP
CEP: 5724-003

UCI Anália Franco
Av. Regente Feijó, 1759/ Qd 4/ Loja 40
Nível Lírio – São Paulo – SP
CEP: 3342-000

Obs.: O ballet tem três horas de duração, não sendo recomendado para crianças pequenas.

Querem saber mais da história?

Música: Adolphe Adam
Coreografia original: Marius Petipa
Remontagem: Alexei Ratmansky e Yuri Burlaka

O ballet é contado em três atos, com prólogo e epílogo, e começa em alto mar, onde o navio de Conrado, líder dos corsários, enfrenta uma tempestade. Apesar dos esforços de sua tripulação, o navio acaba encalhando na costa de uma ilha grega. Conrado e seus homens, Birbanto e o escravo Ali, são encontrados na praia por um grupo de jovens, lideradas por Medora e sua melhor amiga Gulnara. Eles contam sobre suas aventuras e como foram parar naquele lugar, e durante o relato, Medora e Conrado imediatamente se apaixonam. Elas são surpreendidas por Lankedem, um mercador de escravos que as captura e as leva para serem vendidas por altos preços. Os corsários ficam a espreita, seguem seus passos e passam por diversas aventuras na tentativa de resgatá-las.



O'er the glad waters of the dark blue sea,

Our thoughts as boundless, and our souls as free,

Far as the breeze can bear, the billows foam,

Survey our empire and behold our home!

These are our realms, no limits to their sway —

Our flag the sceptre all who meet obey.

(Lord Byron)


quinta-feira, 26 de setembro de 2013

Fitas na sapatilha de ponta

Voltando em grande estilo, espero!

Bailarin@s, não sei se todo mundo acompanha a fanpage da Bravo! Ballet no Facebook, mas para quem não sabe, fizemos uma parceria muito legal com a Repetto, e para dar início a ela recebemos duas consultoras na escola para ajudar as alunas e visitantes a escolher sua sapatilha ideal. Já vou avisando aqui que esta iniciativa partiu da própria Repetto (o que nos enche de orgulho) e que não tem nada a ver com vender produtos, pois esta não é (mesmo) a finalidade da marca. O intuito é se aproximar dos bailarinos brasileiros, pois a dança é de verdade a essência da marca, o que faz a gente gostar ainda mais dela.

Bem, toda essa introdução é só para contar que depois de anos usando a Gaynor eu finalmente vou voltar a subir em pontas mais artesanais. Os professores amam essa ideia, e para falar a verdade, eu também. A Gaynor é confortável, silenciosa e, o principal, segura bastante meu colo de pé. Com ela eu consigo, por exemplo, saltar nas pontas. Foi um grande progresso na minha vida de bailarina, não posso negar. Mas por segurar meu colo, as linhas dele não ficam valorizadas. E eu estava realmente precisando voltar às origens.

Então lá vamos nós...

Um dos meus maiores problemas com sapatilhas comuns é não sentir que ela me segura, que abraça meus pés. Por isso eu decidi colocar a fita e o elástico de uma maneira diferente desta vez. Ah, toda essa pesquisa eu fiz para o Fitting que fizemos na escola. Juro, estou craque em costurar fita e elástico em sapatilhas de ponta.

Como vocês devem saber, existem algumas formas de fazer isso, e a que escolhi é a costura contínua das fitas. Isso quer dizer que para cada pé uso apenas uma fita inteira e não dois pedaços, passando o meio da fita por entre a palmilha e a sola interna. Dessa forma, acho que a sapatilha ficará mais firme no meu pé, pois puxo também a parte de baixo dele ao amarrar as fitas. Se vai dar certo? Ainda não sei. Me parece que sim, mas só vou conseguir contar isso para vocês conforme os ensaios vão acontecendo.

Por enquanto, aproveitem este tutorial de como costurar fitas e elástico (por fora desta vez) de um novo jeito!

E me contem se gostaram.

Beijo grande!