quarta-feira, 30 de maio de 2012

Bailarinos para Florence + The Machine

Spectrum é o novo clip de Florence + The Machine, que tem bailarinos no elenco e direção de David LaChapelle.

Eu gostei.




sexta-feira, 25 de maio de 2012

Cuidados com os pés

Assunto recorrente quando se fala em dança, os pés das bailarinas são a única parte do corpo que pode ficar feia com a prática do ballet. Principalmente para quem dança na ponta e em épocas de muitos ensaios, é normal ter bolhas causadas pelo atrito de partes da sapatilha na pele (que acaba ficando úmida de suor), calos e unhas encravadas, quebradas ou pretas.
Existem alguns acessórios criados para minimizar esses problemas e cada pé precisa de uma solução. Por isso vou listar algumas coisas que você pode fazer para evitar problemas ou consertar o estrago. Conforme sua experiência vai aumentando, o pé "caleja" e, apesar de feio, fica no ponto para dançar. 
Hoje em dia é muito raro eu ter problemas com meu pé. Isso porque desde que uso a sapatilha de ponta Gaynor Minden a formação de bolhas nunca chegou ao ponto insuportável. A Gaynor é muito confortável, apesar de não ser a ponta que eu acho mais bonita no pé. E a marca também tem acessórios muito bons para proteger os dedos, apesar de eu somente usar uma ponteira fina de silicone. Acho que o que contribui para que eu não tenha outros perrengues é o fato de há anos não tirar mais as cutículas e deixar minha unha no toco. Falando assim parece que tenho um pé de dinossauro, mas juro por tudo que é mais sagrado que as pessoas se espantam com o pé da bailarina aqui... ele é bem bonitinho.

Unhas
É claro que bater a ponta dos pés no chão todo dia causa lesões nas unhas. Aos poucos, ela vai ficando mais resistente, por isso a gente não pode desistir. O que complica a situação é o cuidado inadequado com os pés, o corte errado, fungos, ou executar exercícios de forma errada em um piso muito duro. 

O corte ideal das unhas é o mais curto possível (perto da carne) no centro e reto nas bordas, mas lembrando de não deixar pontas que possam "entrar" na pele e encravar. Se seus cantos já são curtos, o ideal é lixar, e também fazer isso duas ou três vezes por semana nas partes que crescerem mais.
Muitos bailarinos (é o caso de uma aluna minha no momento) têm as unhas rachadas, com sangramento, inflamações e que ficam pretas em alguns dias. Isso tudo é causado por impacto e, para evitar que aconteça, deve-se cortar a unha muito curta mesmo, quase na carne.

Se a unha ficar solta, o perigo é infeccionar. É aflitivo, mas deve-se cortar toda a parte solta e limpar sempre muito bem, com água e sabão. Eu sempre usei iodo para secar a pele, acho que é o melhor a fazer. É a recomendação dos especialistas, que também lembram que existem pessoas com alergia ao iodo. Vale lembrar que os casos mais graves precisam de orientação médica. Talvez um podólogo.

Se puder evitar calçar sapatos ou sapatilhas por alguns dias, melhor. A formação de uma nova unha pode levar cerca de 3 meses. Muita gente usa um anestésico tópico na lesão, mas os especialistas não recomendam. Eu já fiz isso em bolhas abertas e calcanhar rasgado pela costura inadequada de fitas e elásticos na sapatilha. Resolveu na hora, mas sem a dor acabei não percebendo que estava machucando ainda mais. Lembre-se que tudo pode piorar e procure sempre um médico quando sentir necessidade. 

Se a unha estiver com um aspecto grosso, com uma cor estranha, pode ser fungo. Esse probleminha é chato, mas simples de tratar. Porém ele nem sempre desaparece de vez. Existem remédios tópicos e um comprimido que ajuda muito, porém o tratamento pode ser de longo prazo. Para ajudar, você tem sempre que manter os pés secos, as sapatilhas limpas e arejadas e evitar contato com cortadores de unha ou calçados de outras pessoas. 

Calos
Assim como o cabelo e as unhas, calos são uma secreção da pele composta da proteína queratina. Eles são produzidos pela pressão da pele, algumas vezes sendo dolorosos. Em alguns casos, eles criam feridas que podem infeccionar, ficando inchados e vermelhos. Um calo infeccionado é especialmente perigoso se estiver entre os terceiro e quarto dedos, uma área em que muitos bailarinos têm um certo grau de dormência. Fica parecendo uma espinha inflamada entre os dedos e deve ser tratado por um profissional.

As ponteiras ajudam bastante a suportar o incômodo causado pelos calos. Não tente removê-los com soluções vendidas em farmácia. Se incomodarem demais, podem ser removidos por especialistas, mas acabam voltando nos mesmos lugares onde a pressão persistir. Podólogos geralmente conseguem tratar dos calos. Lembre-se que este problema faz parte da vida da bailarina e que você se acostuma com ele. 

Bolhas
As bolhas são também parte do processo de "endurecimento" dos pés. Como as outras lesões que discutimos, bolhas pode ser minimizadas pela escolha da sapatilha certa para seu tipo de pé (já falei neste post aqui como escolher a ponta certa). No entanto, quase todo mundo desenvolve bolhas com sapatilhas novas. As bolhas aparecem em uma nova área do pé está sendo esfregada de repente - talvez a parte de trás do calcanhar, onde o cordão pega, ou quando a gáspea da sapatilha bate a cabeça dos metatarsos dos dedos dos pés (os nós dos dedos), ou em qualquer dedo do pé.

Bolhas ocorrem quando os sapatos e meias esfregam com força a pele, especialmente se o excesso de calor é gerado (e com o suor para agravar). Pessoas mais suscetíveis às bolhas parecem ser aqueles cuja camada mais externa da pele não é tão fortemente ligada à camada de pele de baixo. Para evitar as bolhas, a medida mais comum é passam esparadrapo em todos os dedos e locais onde a bolha pode ser formar. Eu usava nos dedinhos, dedões e calcanhares. Outra medida preventiva (e confesso que bem estranha) é a aplicação da tintura de benzoin, disponível em farmácias, na pele antes de colocar a meia-calça (evitando rugas). O benzoin faz com que as meias engrossem e então a sapatilha agarra na meia (quem aí já tentou isso?). Não repita isso em casa, mas eu já usei óleo Singer (aquele de máquina) nas minhas bolhas. O que resolve de verdade é aprender a suportá-las e deixar a pele engrossar naturalmente.

O que dá pra fazer de imediato com as bolhas é um curativo simples. Se ela estourar sozinha, o certo é usar uma pomada antibacteriana. Jamais tente estourar suas bolhas, o que pode infeccionar muito seriamente e ficar feio... Se ela continuar dolorida e inflamada, procure um médico, que poderá fazer a punção da forma correta. 

Acessórios
Hoje em dia existem muitas opções para proteger os dedos e pés das bailarinas. Na época em que minha mãe dançava, a ponteira era de pelo de coelho, com couro (que o PETA não nos leia).  Quando eu comecei o ballet era de espuma com um tecido tipo lycra. Sempre usei mesmo a boa e velha meia-calça enrolada, porque não gosto de nada sobrando nos pés e achava as ponteiras sempre muito largas. Até que descobri a ponteira de silicone e numa mais a abandonei. 
Fiz um TOP TEN com o que acho mais importante ter na bolsa de ballet:


Top 10 Ballet Footwear Care



1 - Eurotard Feather Lites Gel Toe Pads – Essas ponteiras são as mais finas da marca Eurotard. A minha é a rosa e acho meio difícil de encontrar aqui no Brasil, mas ela dura muito. Tenho há mais de 5 anos e não posso pensar em ficar sem.
2 - Eurotard azul – É uma ponteira bem grossa, que tenho em casa e NUNCA consegui usar. Mas é questão de gosto mesmo, porque a qualidade da marca é muito boa. Comprei na Evolution Pirouette, e ela é bem carinha.
3 - Ouch Pouch Caroussel – essa ponteira da marca Bunheads é a queridinhas de muitas bailarinas. Como não tenho coragem de abrir mão da minha, não testei ainda, mas ela parece fina e confortável. E essa é a versão colorida (tem outras cores vibrantes no site). Linda, né?
4 - Ouch Pouch tradicional.
5 - Ponteira ToeSavers Prima da Danztech – por muitos anos foi a que usei. É uma ponteira recheada de Z-Flo, o fluido mais leve do mundo, e Gelastic um gel termoplástico extremamente macio e resiliente que vai amolecendo com o calor do pé. Gosto por ser fina e proteger, mas ela tem o inconveniente de se deformar durante a aula/ensaio.
6 – Lã de carneiro – achei uma fofura essa lã da Bunheads para ajudar a proteger os pés. Lembra coisa antiga. Alguém já usou?
7 – Band-Aid líquido. Umas das maravilhas da tecnologia pra salvar do sufoco na hora H. Tem um cheirinho forte, mas adere na pele melhor que os adesivos.
8  e 9 – Jelly Toes e Jelly Tips. Tecidos com silicone que abraçam cada dedinho. Acho meio estranho, mas tem quem ame.
10 – O bom e velho esparadrapo. Prefiro o impermeável mesmo e dos grandes, que vou cortando de acordo com a parte que quero proteger.

Bailarina também é gente
Acho que exibir um calo ou uma bolha causada por um ensaio que quase te esfolou viva faz parte da vida de toda bailarina. Quantas e quantas vezes abusei do chinelo para sair à rua porque simplesmente não dava para calçar mais nada, de tão feio que meu pé estava. Mas não é por isso que a gente precisa largar mão de vez e causar repulsa nas pessoas com uma unha verde ou um pé que parece ter sido atropelado. Como já disse aqui, não recomendo (por minha experiência mesmo porque não sou médica e nem podóloga) ficar mexendo e cutucando as unhas. Não acho bom tirar a cutícula e até hoje não encontrei uma manicure que saiba lidar com pés de bailarinas. Então eu mesma corto minhas unhas e uso um esfoliante junto com óleo que faz milagres pelos meus pezinhos. Se chama Silka, para quem quiser saber. Para as cutículas não ficarem muito grandes e grossas, passo toda noite antes de dormir a cerinha para unhas e cutículas da Granado. E quando quero deixar tudo mais bonitinho, vou ao salão e peço para a menina somente lixar e passar um esmalte (escuro quando a unha tá feia). 

A verdade é que quanto menos você mexe, mais deixa seu pé se acostumar sozinho com o destino que deu a ele. 

Espero ter ajudado alguém. Se tiverem mais dicas boas, podem deixar nos comentários.

Fontes, imagens e sites consultados:
Dance Magazine
Evolution Pirouette
Ponta Firme
Bunheads
Capezio Store

eDance
Farmagora
 

quarta-feira, 23 de maio de 2012

Dance212

Taí um reality show para o povo da dança. Dance212 é uma série da web que mostra como é ser um bailarino em Nova York.

O site: Dance212.

E você achando difícil decorar a sequência de sautés ao reverso...




Dieta para bailarinos


Poster da Gaynor Minden
Quem pratica ballet há muito tempo talvez nem se dê conta, mas para quem acabou de começar, o primeiro obstáculo é o espelho. Quando passamos muito tempo na correria do dia a dia, mal nos olhamos de frente e verso e corpo inteiro. No máximo se o elevador do prédio tiver e podemos aproveitar para checar se a calça está marcando.
Mas lidar com sua imagem diariamente num collant e meia rosa não é fácil. Pior ainda é se ver em vídeos dançando. Invariavelmente você vai ver que não esticou o pé e que está acima do peso.
Um absurdo, já que a paranoia pelo peso ideal deixou de ser saudável desde que o peso ideal é o da Gisele Bündchen. Hey, nada contra, até porque acho ela linda, mas tenho o papel de trazer um pouco de noção para minhas alunas ou elas irão ficar loucas de vez.
E tenho que abrir um parêntese para tentar também me entender com a questão da minha imagem, já que peso o mesmo que a Ana Botafogo e volta e meia me acho gorda. Quando eu fazia aula no Pavilhão D, uma pesquisadora de uma faculdade de psicologia foi conversar com a gente. Ela estava estudando casos de anorexia e nos disse que a primeira menina diagnosticada com essa doença era uma bailarina. Então todo cuidado é pouco porque precisamos ser magras por uma questão física (tudo flui melhor sem as gordurinhas sobressalentes), mas a coisa não pode virar doença, senão não se dança também. Já senti na pele que ficar muito, muito magra faz também que com você perca massa muscular.
Como eu já disse aqui, emagrecer é um processo matemático. Você precisa apenas ingerir menos calorias do que gasta. Não sou médica, nem nutricionista, mas falo do alto da minha sabedoria “dieteira” que não adianta nada ficar sem comer. Como também não adianta fazer escolhas saudáveis e ultrapassar as calorias do dia. Tudo é equilíbrio, força, determinação e cuidado com o corpo, seu instrumento de trabalho.
Com tudo isso em mente, procurei uma dieta para bailarinos que pudesse servir de guia para quem pretende se cuidar e também dança (o que requer energia). De acordo com artigos publicados na Dance Magazine, Pointe, no site Live Strong e pela Associação Internacional de Dança Medicina e Ciência, alguns fatores devem ser levados em conta:
Ingestão calórica
Para quem treina diariamente, com muitos ensaios e atividades, a ingestão calórica recomendada é de 20 a 23 calorias por quilo de peso para mulheres e 23 a 25 calorias por quilo de peso corporal para homens, durante o treino. Isso significa para mim mais ou menos 900 kcal. É bem pouco, vai. 
Escolhas alimentares
Essa foi indicada pela nutricionista do New York City Ballet: a dieta deve ser composta por 55% de carboidratos complexos (grãos integrais, legumes e frutas), 20% de proteína magra e 20 a 25% de gordura insaturada. Ela também diz que os bailarinos devem consumir de 8 a 10 porções de pão, pelo menos 5 porções de vegetais por dia e pelo menos 2 a 3 porções de leite de baixo teor de gordura (leite desnatado ou iogurte). Leite de soja também é uma boa escolha, porque a soja é boa para os ossos. Bailarinos devem tomar cuidado com uma dieta rica em proteínas pesadas, pois pode levar a ansiedade pelo açúcar. Eu acho que o pão se explica pela necessidade de carboidratos para os músculos: sem eles, o músculo fica sem combustível. Mas é claro que existes carboidratos bons e os maus. É só ficar atento à sua escolha e lembrar de aumentar a ingestão para 65% se estiver num ritmo muito puxado de ensaios. Falando tudo isso, parece um monte de comida, mas são porções pequenas e escolhas muito saudáveis.
Frequência alimentar
Coma a cada quatro horas para evitar a compulsão alimentar. O cérebro e o sistema nervoso precisam de um fornecimento constante de energia a partir da presença de glicose no sangue – que vem dos alimentos. Antes, durante e após a dançar, um lanchinho pequeno ajuda a aumentar os níveis de glicose. O corpo repõe o glicogênio durante as duas horas após o exercício, por isso é importante consumir carboidratos imediatamente após o exercício físico intenso.
Consumo de líquidos
Durante as atividades, o recomendado é consumir cerca de 250 ml de líquidos a cada 15 minutos (pouquinho mesmo, para a barriga não ficar cheia e atrapalhar nos saltos e giros). Bailarinos devem tomar muito cuidado com a desidratação e manter sempre uma garrafinha por perto.
Dicas úteis
Algumas pessoas recomendam manter um diário alimentar para controlar a ingestão de alimentos. Hoje em dia qualquer celular tem um aplicativo para isso. Além disso, musculação leve e exercícios aeróbicos pelo menos três vezes por semana irão acelerar o metabolismo de um bailarino e diminuir o seu peso normal. Eu acho importante tem uma balança em casa também. Assim você sabe exatamente o que está fazendo de certo ou errado na sua dieta e no seu treino (mas vale lembrar que, se a paranoia começar, melhor parar tudo isso e ser feliz. Um doce de vez em quando até ajuda).
A melhor parte de tudo é que a dança pode ajudar no processo de emagrecimento e emagrecer também torna a dança mais fácil. E um dia o espelho deixa de ser aquela coisa assustadora, porque você enfim estará de bem com seu corpo.

segunda-feira, 21 de maio de 2012

Conjuntos de ballet clássico

Está chegando a época dos Festivais de Dança, bailarin@s. É a hora de levar para o palco tudo aquilo que se aprendeu em sala de aula. Como estou ensaiando um conjunto clássico com meus alunos, tenho assistido a muitos vídeos para ver os desenhos coreográficos e poder sair do beabá um pouco.

Mas também tenho visto muita coisa em comum nesses grandes trabalhos coreográficos e o principal: quando você dança em conjunto, além de, obviamente, ter que saber executar bem os passos, precisa saber trabalhar em grupo.

Minhas professoras, Fátima Barbosa e Toshie Kobayahi, sempre coreografam grandes grupos. E o resultado é sempre encantador. Não existe coisa mais linda do que ver um conjunto bem ensaiado.

Chegou a minha vez de ensaiar pessoas. É difícil, mas existem 3 pontos muito importantes que fazem toda a diferença e que todo mundo pode aprender:

1- Entrar e sair de cena: este é o momento em que o bailarino precisa praticamente desaparecer e reaparecer em segundos do palco. No vídeo abaixo, com uma quantidade enorme de bailarinos, é possível ver o quanto se corre para que esse efeito apareça. Outro ponto importante: correr feito bailarino requer leveza e saber o que fazer com os braços. Tem que desaparecer com elegância. Senão, como costumo brincar no ensaio, parece chacrete.

2 - Manter alinhamento e lugar na fila: quando você dança em conjunto, é meio óbvio: não é um solo, não é para um bailarino se destacar. Claro que, em determinados momentos, o coreógrafo cria passos para que um solista tenha seu destaque, mas de forma geral o grande trabalho é o desenho da dança. E ele só acontece com todo mundo no seu devido lugar. Bailarino tem que ter olhos nas costas e visão periférica aguçada. Tem que ficar na fila, na diagonal, atrás de quem tem que ficar e ter noção de espaço. Ou você corre o risco de tomar uma belíssima bronca e pagar o maior mico estilo Videocassetada por não estar fazendo o mínimo do que era esperado. Para quem está nas primeiras filas, a responsabilidade é dobrada! Se você erra, todo mundo vai errar junto!

3 - Escutar a música. Regra de ouro para o ballet. Vale para corpo de baile e primeiros-bailarinos. Especialmente em conjuntos, ouça todos os instrumentos da música que você está dançando. É com eles que o coreógrafo trabalhou. Se ele quer todo mundo num relevé em um determinado "pam" da música, é porque todos têm que fazer isso juntos. Decore esses momentos importantes, ligue todos os sentidos (visão, audição) e esteja 100% atento a tudo.

Com essas regrinhas de ouro, de repente sua pirueta não saiu lá do jeito que você queria, mas certamente o conjunto tem grandes chances de dar certo. E é ele que conta nesses casos.

Abaixo um vídeo que ilustra tudo o que falei. Vejam como os integrantes se comportam o tempo todo e me digam se é ou não é muito legal o trabalho de equipe.


Grand Defile - coreografia do brasileiro Carlos dos Santos Jr. para o YAGP em Nova York. Aqui no Brasill é remontada no Passo de Arte por Toshie Kobayashi.


segunda-feira, 7 de maio de 2012

Meu primeiro pas-de-deux




Já se vão anos da minha estreia em um ballet de repertório e me lembro como se fosse hoje da emoção que é ter essa responsabilidade pela primeira vez.

Aprendi com minhas professoras que alguns ballets não podem ser dançados sem que a gente esteja devidamente preparada, com a técnica apurada, em forma e muito bem ensaiada. Os clássicos têm que ser respeitados e procuro passar um pouco disso para as minhas alunas. Claro que podemos (e devemos) aprender todo e qualquer ballet em aula. Mas se jogar no palco de Joinville com uma sapatilha no pé requer muito preparo, muita aula, sangue, suor e lágrimas.

Eu fazia muita aula em Assis. Muita mesmo. Todo dia tinha aula das 16h30 no Ballet Isabel Gusman. E essa aula durava uma vida. Fazíamos barra, alongamento, centro e ponta. Aí eu fazia aula da Royal, pois todo ano prestava exames. E depois ensaiava. Um dia, num curso que minha escola promovia no interior, chamado Projeto Joshey Leão, a dona Toshie Kobayashi me viu na aula. Ela nunca tinha botado os olhos em mim. Mas eu estava suando tanto a camisa, que ela virou para minha professora e disse que estava na hora de eu dançar um pas-de-deux.

Acho que fiquei semanas sem dormir direito, pensando em qual seria meu papel, o que iria me ser concedido. E quando viemos a São Paulo fazer mais aulas, ela deu o veredito: La Fille Mal Gardée. Eu conhecia muito pouco o ballet, mas logo fui pesquisar. E imaginem que a gente não tinha o YouTube para poder aprender o ballet. Por isso hoje fui correndo atrás da versão, porque a que dancei não é a mais comum. A coda é exatamente esta, bem rapidinha mesmo, mas adaptada pra mim e pro palco de Assis. Na época foi alguma aluna que me passou os passos e a própria D. Toshie que me ensaiava. Ficou bonitinho. Meu partner, Cleiton Diomkinas, hoje é um bailarino de respeito na Alemanha, e era um príncipe, me ajudou muito. A gente se dava bem e devo muito a todos esses profissionais que me ensinaram tanto.

Na semana passada eu estava contando para uma aluna que na coda do pas-de-deux existem 32 saltinhos na ponta que na primeira vez que ensaiei não saíam nem com reza brava. São uns piquezinhos, algo assim, mas eu me apavorava com aquilo. Mas era um tempo que a gente não podia reclamar. E me esforcei tanto, que eles saíram e até hoje faço com tranquilidade. Queria muito que minhas alunas tivessem essa teimosia que eu tive, pois determinadas eu sei que são.

Fico feliz por ter feito La Fille. Foi uma boa estreia, afinal.

Eu e o Cleiton. Foto de outro pas-de-deux: Festival de Flores a Genzano.


quinta-feira, 3 de maio de 2012

YAGP

Acabou de acabar em Nova York a décima-terceira edição do Youth America Grand Prix, um dos maiores concursos de ballet do mundo, que também oferece bolsas de estudo para os melhores estudantes classificados.

Lançado em 1999 por dois ex-bailarinos do Bolshoi,  Larissa e Gennadi Saveliev, o YAGP é também uma organização sem fins lucrativos criada com a missão de fornecer extraordinárias oportunidades educacionais e profissionais para jovens bailarinos, agindo como um trampolim para a carreira profissional. O concurso é realizado anualmente em todo o mundo, para alunos de todas as nacionalidades, que tenham entre  9 e 19 anos de idade.
 



Aqui no Brasil, os bailarinos conseguem vaga pelo concurso YAGP do Passo de Arte. Neste ano o YAGP concedeu mais de 2 milhões de dólares em bolsas de estudo para as principais escolas de dança em todo o mundo. Mais de 25.000 bailarinos em todo o mundo participaram de workshops internacionais, competições e aulas. Mais de 200 alunos agora estão dançando nas maiores companhias do mundo, incluindo o American Ballet Theatre, o New York City Ballet, a Opera de Paris, o San Francisco Ballet, entre outros.


Vejo o YAGP como uma olimpíada da dança, um ponto de encontro para estudantes e professores se atualizarem e verem espetáculos incríveis. Sério, o nível técnico impressiona demais. É só conferir as fotos e vídeos e começar a babar.






Só para lembrar que o prêmio máximo do ano passado foi da brasileira Mayara Magri.

Pryscilla Gallo, em 2011

Aurora Dickie, em 2007


Minha professora acabou de voltar e mal posso esperar para ouvir as histórias da delegação brasileira.
Para encerrar o post longo, claro que temos nossos campeões:

Resultado Geral do Youth America Grand Prix 2012 em Nova York
Pre-competitive

Hope – Drew Minard (11), School of Classical Dance, IA, USA

Pre-Competitive Feminino

Ouro – Yeojin Shim (11), Academy of Korean Young Ballet Stars, KOREA

Prata – Isabella Franco (11), Marat Daukayev School of Ballet, CA, USA

Bronze – TIED – Lada Sartakova (9), Vladislav Kuramshin’s Russian Ballet School, RUSSIA

Bronze – TIED – Natalie Thornley-Hall (11), Vancouver Junior Professional Division, CANADA

Pre-Competitive Masculino

Ouro – Luke Westerman (11), Northern California Dance Conservatory, CA, USA
Prata – Daichi Ikarashi (9), Niigata Ballet School, JAPAN
Bronze – Kohki Toda (11), Rinna Classic Ballet Company, JAPAN

Top 12 Pre-Competitive Feminino
1. Maria Gabriela Gutierrez Aza (9) Danzaira Escuela de Ballet, PERU
2. Jasmine Cruz (9) Westlake School for the Performing Arts, CA, USA
3. Isabella Franco (11), Marat Daukayev School of Ballet, CA, USA
4. Elena Iseki (10), Russian Ballet School, JAPAN
5. Chihiro Kobayashi (11), Emi Aiba Ballet Studio, JAPAN
6. Mya Kresnyak (10), Vancouver Junior Professional Division, CANADA
7. Martina Prefontaine (10), Vancouver Junior Prof. Division, CANADA
8. Lada Sartakova 9), Vladislav Kuramshin’s Russian Ballet School, RUSSIA
9. Yeojin Shim (11), Academy of Korean Young Ballet Stars, REP. of KOREA
10. Rena Takahashi (11), Hitomi Takeuchi School of Ballet, JAPAN
11. Natalie Thornley-Hall (11), Vancouver Junior Prof. Division, CANADA
12. Catarina Rodigues Erickson (11), Ballet Jovem de S. Vicente, BRAZIL

Junior
Youth Grand Prix – Blake Kessler (14), Orlando Ballet School, FL, USA

Masculino
Ouro – Adhonay Soares da Silva (14), Bale Jovem Centro Gustav Ritter, BRAZIL
Prat – Giuseppe Basillio (14), AS Ballet, SWITZERLAND
Bronze – David Preciado (13), Los Angeles Ballet School, CA, USA

Feminino
Ouro – Juliet Doherty (14), Fishback School of the Dance, NM, USA
Silver – Grecia Marian Meza Posada (12), Escuela Sup.Danza de Monterrey, MEXICO
Bronze – Maria Clara Coelho (13), Balletarrj Escola de Danca, BRAZIL

Top 12 Feminino
1. Gisele Bethea (12), Master Ballet Academy, AZ, USA
2. Maria Clara Coelho (13), Balletarrj Escola de Danca, BRAZIL
3. Grace Davidson (12), Faubourg School of Ballet, IL, USA
4. Juliet Doherty (14), Fishback School of the Dance, NM, USA
5. Austin Eder (13), Anaheim Ballet School, CA, USA
6. Miko Fogarty (14), Westlake School of the Arts, CA, USA
7. Kurumi Kosaka (13) Tazuru Ichiyanagi Ballet School, JAPAN
8. Alysha Martignago (14) Coaching with Janinie McGrath, AUSTRALIA
9. Remi Nakano (13) Kishibe Ballet Studio, JAPAN
10. Grecia Marian Meza Posada (12), Escuela Danza de Monterrey, MEXICO
11. Marin Soki (12) Soki Ballet School, JAPAN
12. Seo Hoo Yun (12) Yewon Middle School, REPUBLIC of KOREA

Senior
Grand Prix – Kimin Kim (19), Korean University of the Arts, REPUBLIC of KOREA

Masculino
Ouro – Derek Dunn (16), The Rock School for Dance Education, PA, USA
Prata – Cameron McCune (16), The Raleigh School for Ballet, NC, USA
Bronze – Shun Izawa, (19), Ballet Studio Duo, JAPAN

TOP 12 Men
1. Edson Ferreria Barbosa, BRAZIL
2. David Donnelley (16), Northern Cincinnati Youth Ballet, OH, USA
3. Derek Dunn (16), The Rock School for Dance Education, PA, USA
4. Gustavo Echevarria (17), John Cranko Stuttgart Ballet, GERMANYA
5. Hadriel Diniz Getulio (16), Vortice Escola de Danceas, BRAZIL
6. Angelo Greco (16), Il Balletto, ITALY
7. Shogo Hayami (15), Mitsuko Inao Ballet School, JAPAN
8. Shun Izawa (19), Ballet Studio Duo, JAPAN
9. Kimin Kim (19), Korean University of the Arts, REPUBLIC of KOREA
10. Devyn Lovett (17), Dmitri Kulev Classical Ballet Academy, CA, USA
11. Cameron McCune (16), The Raleigh Ballet School, NC, USA
12. Li Wen Tao (16), Beijing Dance Academy, P. R. of CHINA

Feminino
Ouro- Hannah Bettes (16) Next Generation BalletPatel Conservatory, FL, USA
Prata – Tyler Donatelli (15), Southland Ballet Academy, CA, USA
Bronze – Gayeon Jung (19), Korean Nat. University of the Arts, REP. of KOREA

TOP 12 Feminino
1. Hannah Bettes (16) Next Generation Ballet Patel Conservatory, FL, USA
2. Jennifer Bummer (15), Dmitri Kulev Classical Ballet Academy, CA, USA
3. Valentina dos Santos Codinha (15) Escola do Cons. Nacional, PORTUGAL
4. Tyler Donatelli (15), Southland Ballet Academy, CA, USA
5. Nagisa Hatano (17), Kamiya Kumiko Ballet School, JAPAN
6. Gayeon Jung (19), Korean National University of the Arts, REP. of KOREA
7. Liu Xue Chen (16), Beijing Dance Academy, P.R. of CHINA
8. Tiana Lovett (15), Lovett Dance Center, CA, USA
9. Soyun Park (15), Sunhwa Arts High School, REP. of KOREA
10. Deanna Pearson (17) Akhmedova School of Ballet, MD, USA
11. Qiu Yun Ting (16), Beijing Dance Academy, REP. of KOREA
12. Sofia Martinez Rios (15) En Pro Del Talento Veracruzano, MEXICO

Ensemble
Ouro – The Rock School for Dance Education, PA, USA - Tempestuous
Prata – AIS Ballet Japan, JAPAN - WaBu
Bronze – Esceula Superior de Musica Y Danza de Monterrey – Voces del Cuerpo

Pas De Deux
Ouro – Korean National University, KOREA – Pas de Deux from Don Quixote
Prata – Orlando Ballet School, USA – Pas De Deux from Harlequinade
Bronze – Balletarrj Escola de Danca , BRAZIL Pas de Deux from Diana and Acteon

Premio Especial:
Grishko Model Search – Grace Davidson (12), Faubourg School of Ballet, IL, USA
Markarova Prize – Gisele Bethea, (13), Master Ballet Academy, AZ, USA
Mary Day Award – Li Wen Tao (16) Beijing Dance Academy, P. R. of CHINA & Dominque Alessi (17) Marat Daukayev School of Ballet, CA, USA

Best European Dancer – Gustavo Echevarria (18), John Cranko Schule at Stuttgart Ballet, GERMANY

Outstanding Contemporary Dancer Award – David Donnelly (16), Northern Cincinnati Youth Ballet, OH, USA


Calorias gastas em uma aula de ballet

Muita gente tem procurado o ballet como forma de atividade física, não só de arte. O que não deixa de ser uma excelente escolha, porque, né? Ficar puxando ferro em academia virou coisa do passado (rsrsrsrs). Para essas pessoas e meus alunos irem se animando cada vez mais, é legal saber quanto se perde (em calorias) numa aula de ballet.

Claro que a aula nunca é igual para todos e a queima calórica também não será. Ela vai depender da intensidade e duração da aula e também do seu peso corporal atual. Quanto mais você suar, mais irá queimar. E a coisa boa: quem pesa mais perde mais também.

Existem algumas calculadoras que podem fazer a conta para você. Esta aqui me diz que em apenas uma hora de aula gasto 225 kcal, enquanto uma pessoa de 60 kg gastaria 288. É mais que um treino moderado de musculação (além de ser aeróbico, bom pro coração e também definir musculatura). Isso sem contar o que se perde no restante do dia. E se levarmos em conta ainda os ensaios? Tá valendo a pena, não tá?

Meu pai sempre diz que dieta é matemática. Para manter o peso, você deve consumir o que gasta. Para ganhar, consumir mais. Para perder, não tem jeito: consumir menos e gastar mais. É bem mais simples do que a gente imagina, não é?



Vamos suar, minha gente!