segunda-feira, 24 de maio de 2010

Pas-de-deux Diana e Actéon - a verdade por trás do mito

A história do pas-de-deux Diana e Actéon é uma lenda grega. Em todos os sentidos. Algumas versões sobre sua origem dizem que ele foi coreografado por Marius Petipa, e fazia parte originalmente de sua remontagem do ballet La Esmeralda, de Jules Perrot. Em 1931 Agrippina Vaganova teria recoreografado a peça nos moldes que conhecemos hoje.

Porém, há quem diga que ele nasceu de uma passagem de Le Roi Candaule, um divertissement conhecido como Pas Diane, ou Les Amours de Diane, a partir do Ato IV. Hoje em dia o pas-de-deux Diana e Actéon tornou-se uma peça popular no repertório das companhias de balé, assim como no circuito da competição de ballet, e esse equívoco de suas origens se espalhou a partir do boca-a-boca.

Na versão de Petipa, o Pas de Diane era um pas de caractère baseado em personagens retirados da mitologia grega. O pas original consistia na personagem Diana (ou Artemis), a deusa virgem da caça, o caçador Endymion, um sátiro e oito ninfas. Petipa formou o Pas de Diane como um clássico Pas de Trois - constituído por uma Entrée, um Grand Adagio para os três solistas e oito ninfas (mulheres do corpo de ballet), dança para as oito ninfas e sátiro, variações de Diane e Endymion, e uma Grand Coda.

Em 1931, Agrippina Vaganova teria ressuscitado a versão de 1903 de Petipa, aí sim inserindo-a no relançamento da versão de 1932 de La Esmeralda para o Ballet Kirov. Por razões ainda não totalmente compreendidas, na versão de Vaganova, Endymion foi alterado para Actéon - uma mudança que é bastante incorreta no que diz respeito ao mito real e ao ballet original de Petipa (no mito Actéon lança olhares sobre o corpo da virgem Diana enquanto ela se banha com as ninfas. Como castigo por isso, Diana tira sua fala, acrescentando a condição de que, se tentasse falar, seria transformado em um cervo. Ao seu próprio grupo de caça, ele tenta gritar, e é assim transformado. Seus cães de ataque o matam em seguida).

A nova coreografia de Vaganova aumentou o número de ninfas de oito a doze. Os dançarinos Galina Ulanova e Vakhtang Chabukiani foram os primeiros a realizar nova versão da peça, que foi renomeada como o pas-de-deux Diana e Actéon, um marco importante e repertório de companhias de ballet de todo o mundo (fora da Rússia, a peça é mais frequentemente realizada simplesmente como um pas-de-deux, sem o corpo de ballet), e é a única peça restante do ballet Tsar Kandavl / Le Roi Candaule.



Versão mais comum, com Larissa Lezhnina e a louca do Farukh Ruzimatov :)

sexta-feira, 14 de maio de 2010

quinta-feira, 13 de maio de 2010

Tchaikovsky Pas-de-Deux na Virada Cultural

A Virada Cultural de São Paulo traz, às 17h do dia 16/5, uma surpresa no palco da Estação da Luz: pela primeira vez em parceria com a Orquestra Sinfônica do Estado de São Paulo (OSESP), a Companhia de Dança de São Paulo traz um casal de bailarinos que apresentará o ‘Tchaikovsky Pas-de-Deux’, de George Balanchine.

Realizada primeiramente pelo New York City Ballet, em março de 1960, a coreografia de Balanchine, de oito minutos, mescla técnicas clássicas e também neoclássicas, homenageando o balé romântico. Dificuldades quanto ao eixo vertical, a velocidade, o domínio do equilíbrio e também os grandes saltos são algumas das características desta coreografia.

A música e a coreografia são lindíssimas, eu já ensaiei esse pas-de-deux e não pude dançar, porque simplesmente quem quisesse tinha que pedir autorização para a Fundação Balanchine. Mas tem muito mais história na história desse pas-de-deux difícil pra caramba, mas que dá gosto de dançar.

Tudo começou com a montagem original do Lago do Cisne. Sim, o grande clássico de todos os tempos. Tchaikovsky já havia composto um pequeno ballet chamado The Lake of the Swans para ser encenado por sua família e o famoso tema dos cisnes foi tirado dessa pequena pantomima. Então foi chamado para compor a música de um novo ballet para o Teatro Imperial Bolshoi de Moscou e a primeira montagem teve coreografia de Julius Reisinger.

Sabe-se que os ensaios foram difíceis, uma vez que Reisinger achava a música de Tchaikovsky inadequada para o ballet. O compositor passou ainda dissabores com a primeira-bailarina Anna Sobeshchanskaya, que não gostava de sua música, assim como da coreografia de Reisinger e foi procurar com Petipa um novo pas-de-deux com música de Leon Minkus (naquela época era comum que bailarinas buscassem peças adicionais para alimentar seu ego). Tchaikovsky não aceitou, já que não permitiria música de outra pessoa em seu ballet, e concordou em fazer um novo pas-de-deux, com música baseada na de Minkus, já que Sobeshchanskaya não queria ter que viajar de novo até Petipa para que ele coreografasse novamente.

A música que ficou de fora da montagem original recebeu coreografia de Balanchine e hoje é conhecida como Tchaikovsky pas-de-deux.

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É difícil achar vídeos do ballet, mas se alguém quiser ver a versão mais linda do mundo, deve procurar com a bailarina Darcey Bussel.
Não menos bonito é o de cima, com Adiarys Almeida & Angel Corella.

A dança na Virada Cultural:

Estação da Luz: Orquestra
17h00 - Tchaikovsky Pas de Deux – São Paulo Cia de Dança e Osesp

Estação da Luz: Palco da Dança

19h30 - Abertura do Palco da Dança – Homenagem a Roseli Rodrigues / Raça Cia de Dança de São Paulo

19h50 - Tango Sob Dois Olhares – Raça Cia. de Dança de São Paulo

21h00 - Diários de Viagem – Omstrab

23h30 - Gnawa – São Paulo Cia de Dança

01h10 - Baseado em Fatos Reais – Ângelo Madureira e Ana Catarina Vieira Cia de Dança

02h20 - Diálogo – Jean Abreu e Guga Stroeter

03h00 - Embodied Voodoo Game – Cena 11 Cia. de Dança

05h00 - She´s Lost Control – Cia. Vitrola Quântica

06h15 - Corpo de Passagem – Grua

08h30 - O Sonho – Corpo de Baile Jovem da Escola Municipal de Bailado

09h00 - Yin – Stacattospciadança

11h30 - Nordeste, a Dança do Brasil – Balé Popular do Recife e Antúlio Madureira

14h30 - Kathak Teen Taal – Kanchan Maradan

15h15 - Danses Concertantes, Sabiá e Forrolins – Cisne Negro

17h10 - Kathak Dhamaar – Kanchan Maradan

18h00 - Canela Fina – Balé da Cidade de São Paulo


Veja mais aqui.

terça-feira, 4 de maio de 2010

Dancers Among Us

Dancers Among Us é uma coleção de fotografias de dança em NY com bailarinos da Paul Taylor, Mark Morris e Martha Graham Cias de Dança. Esse é um projeto que começou na primavera de 2009. Não houve trampolins ou outros acessórios utilizados nas imagens, apenas milhares de horas de treino.

Achei a muito legal a ideia de pensar que há bailarinos entre nós. Fora que amo NY e tô me coçando pra assistir ao musical Billy Elliot, que aparece anunciado em uma das fotos. Uma semaninha lá faria milagres por mim, hehehe.

Veja mais no site do fotógrafo Jordan Matter.