sexta-feira, 14 de janeiro de 2011

Pirueta en dehor

Não é à toa que a pirueta en dehor é uma das mais difíceis do ballet clássico.



E Amy já fez ballet!



Quem mais usa sapatilhas para sair de casa?





Adoro essa doida. Beijinhos.

sexta-feira, 7 de janeiro de 2011

Black Swan

Black Swan não é um filme de ballet e nem para bailarinas.

Assisti em casa mesmo, pois não aguentaria esperar para vê-lo no cinema, mesmo sabendo que ele merecia ter sido visto na telona. Mas já tinha muita gente comentando e uma aluna (tks, Bárbara) me passou um link para baixar (bailarinas também pirateiam).

Enfim, como muito crítico de cinema já deve ter comentado, Black Swan é um filme perturbador. Vou deixar aqui minhas impressões de bailarina sobre tudo o que vi e aproveitar que provavelmente mais gente de fora da área esteja tendo acesso a um dos ballets mais importantes de toda a dança clássica para falar sobre a história que é o pano de fundo - e talvez o tema central - do filme.


Se você ainda não viu Black Swan, recomendo não ler daqui para a frente, pois posso estragar a surpresa.

O Lago do Cisne conta a história de uma princesa, Odette, o cisne branco, que foi enfeitiçada pelo mago Rothbart junto com outras donzelas. Tal feitiço poderia ser quebrado se um homem se apaixonasse por ela, o que acaba acontecendo quando o príncipe Siegfried sai para caçar e vê Odette na beira de um lago.

Quando o príncipe decide apresentar sua amada no castelo, entra em cena Odile, o cisne negro. Ela se passa por Odette para quebrar a jura de amor de Siegfrid, que só percebe tudo quando a visão do cisne branco aparece em sua janela.

O final é desesperador em todas as montagens, pois com a ajuda dos demais cisnes brancos, o príncipe decide matar Rothbart para livrar todas as moças da maldição. Em algumas montagens, há o final feliz, com o casal Siegfried e Odette juntos. Em outras versões, como na do filme, alguém morre.

Você pode ler mais sobre isso aqui, aqui e aqui.

Perceberam a filosofia maniqueísta entre os cisnes? Um branco, o bom. Outro negro, o mau. O que pode parecer uma historinha boba de príncipes e princesas explora, na verdade, alguns sentimentos que existem nos homens desde sempre. O amor pela pessoa certa, a sedução que envenena o homem. Há muito ainda a ser explorado no Lago do Cisne, por isso é uma obra que não irá morrer nunca.

Bem, o filme é mais uma tentativa de explorar esse dualismo presente na obra. Nina, a bailarina vivida por Natalie Portman, finalmente consegue o papel de Odette/Odile em sua companhia de dança (vale lembrar que na maioria das montagens do Lago esses papéis são vividos pela mesma bailarina). Frágil, desde o começo ela se mostra muito mais preparada para o cisne branco.

Em tempo, para a gente da dança, as cenas são lindas, mas fica um tremendo gosto de "quero mais". Os pés de Natalie nunca aparecem, a câmera faz sequências lindas para o cinema, mas fico muito agoniada de não ver o todo. Lembrando a mim mesma: não é um filme de ballet.

A coreografia de Black Swan privilegia os braços e Natalie está bem, mas obviamente para quem conhece fica faltando um último respiro que faz toda a diferença. Pensando bem, em muitas bailarinas falta isso. Sabe quando tem uma coisinha a mais no final do movimento? Aquele aplomb ou épaulement matador? Enfim, mas é sempre bom ver ballet e mesmo que não tenha ficado dura na cadeira por causa dos fouettés, fiquei pelo suspense todo do filme. Que aliás, é bem freak.

Para quem viu o filme ou mesmo o trailer, já deu para perceber que a personagem Nina vai enfrentar o desafio de se tornar o cisne negro. Porque pela sua história perturbadinha, ela é uma pessoa extremamente frágil, com uma mãe controladora e problemas que tomariam a agenda de qualquer psicólogo: insegurança, transtorno alimentar, autopunição, frigidez. Tudo que a Odile não tem.

Resumindo a personagem, eu diria que a versão negra do cisne é uma mulher linda, segura, poderosa, malvada, ardente, sedutora. E como achar isso debaixo da sua pele se você não é?

Quando eu estudava ballets de repertório, como falei aqui no post anterior, sempre havia essa discussão. Eu sempre era uma princesa. Pelas minhas linhas, pelo meu jeito. Fiz Bela Adormecida até dar sono em mim mesma, sério, quase todas as princesas eu dancei (ouçam o barulho da minha ficha caindo agora): Aurora, Raymonda, Cinderella, Fada Açucarada... Isso sem contar as camponesas de La Fille Mal Gardée, Coppelia, Festival de Flores, a Escrava de O Corsário...

Quem disse que eu não queria ser Kitry, Esmeralda, Odile? Os dois primeiros eu dancei nos últimos anos e posso dizer que entendo por que tão tarde. Eu não teria maturidade antes. Seria uma versão caipira da Nina. Minha professora Fátima sabia o que estava fazendo ao não me dar tais papéis. Eu iria deixá-la louca, no mínimo. Mas agora, quando a técnica que tenho está consolidada, ou seja, quando estou segura para o ballet, dá para investir mais na interpretação. Segurar no carão, como dizemos nos bastidores. É uma forma de seduzir o público, assim como Nina tem que fazer com sua Odile.

Aí é que está a história de Black Swan. Nina tem que tirar de dentro dela algo de ruim. E isso acontece num plano além da realidade. Sabe quando um ator entra no personagem a ponto de nunca mais sair? O que acontece quando esse personagem nem humano é? Taí o grande barato do filme, a cena mais linda e incrível da coda do cisne negro. E onde Natalie ganha meu Oscar, pois estava me irritando aquela fragilidade toda.

Em um momento do filme, o diretor da companhia diz a Nina que o único obstáculo para ela conseguir ser Odile era ela mesma. O que você faria com você mesmo para realizar um grande sonho?

Eu preciso ser sincera. Depois de Black Swan tenho até medo de pensar.


quinta-feira, 6 de janeiro de 2011

O plágio e a dança (ou fora dela)

A dança sempre nos ensinando algumas coisas...
Hoje no Twitter, a Thaís avisou que seu antigo blogger havia sido reativado por uma menina que usava mais que o domínio do site: usava também seus textos. Pior: sem avisar. Pior do pior: como se os textos fossem dela.
A internet é a terra de ninguém e pouca gente sabe usar o acesso às informações com justiça. Poxa, eu, que de certa forma vivo de textos, sempre soube que por trás de tudo o que você lê existe uma pessoa que escreveu aquilo. Ela é a dona das palavras. Elas estão ordenadas porque alguém quis daquele jeito.
Tracemos um paralelo com a dança - e aqui aproveito para fazer um apelo a todos os que aprendem ballets de repertório.
Vamos supor que seu professor resolva remontar um ballet famoso. O Lago do Cisne, por exemplo. Se ele é um bom professor, vai procurar uma fonte segura para "copiar". Vai escolher os bailarinos certos para os devidos papéis. Vai usar o mesmo figurino, a mesma música. É assim desde sempre. Ele não pode, não tem autorização para fazer modificações significativas. E ele, sendo um bom professor, saberá que algumas coisas podem ser mudadas sem prejuízo da coreografia. Mas nunca, em tempo algum, ele irá trocar o cisne branco pelo negro, nem irá tirar os fouettés da parte mais esperada do pas-de-deux. E tem mais uma coisinha que nunca irá acontecer se você estuda dança séria: seu professor JAMAIS dirá que aquela coreografia é dele.
Eu aprendi com todos os meus professores que a criação de outro deve ser respeitada. Veja bem, nem mesmo alguns ballets mais classudos me eram permitidos com alguns anos de dança. E meus professores estavam sempre certos: os clássicos são imortais porque devem ser preservados, cuidados.
Enfim, voltando à vida fora do palco. É muito chato quando você lê algo escrito por você assinado por outra pessoa. Inversamente proporcional, é simplesmente o máximo quando você encontra um texto seu no blog de uma outra pessoa, com seu nome ali, deixando claro o respeito que tiveram com o seu trabalho de pesquisar, criar, postar com todo o carinho aquele assunto.
Acho que no fundo, no fundo, tudo é uma questão de respeito mesmo. Dizem que a dança ensina um monte de coisas boas e talvez eu tenha aprendido essa lição além da sala de aula. E, como professora que sou, compartilho aqui com vocês.

Beijos para @, @, @ e @.