quinta-feira, 6 de janeiro de 2011

O plágio e a dança (ou fora dela)

A dança sempre nos ensinando algumas coisas...
Hoje no Twitter, a Thaís avisou que seu antigo blogger havia sido reativado por uma menina que usava mais que o domínio do site: usava também seus textos. Pior: sem avisar. Pior do pior: como se os textos fossem dela.
A internet é a terra de ninguém e pouca gente sabe usar o acesso às informações com justiça. Poxa, eu, que de certa forma vivo de textos, sempre soube que por trás de tudo o que você lê existe uma pessoa que escreveu aquilo. Ela é a dona das palavras. Elas estão ordenadas porque alguém quis daquele jeito.
Tracemos um paralelo com a dança - e aqui aproveito para fazer um apelo a todos os que aprendem ballets de repertório.
Vamos supor que seu professor resolva remontar um ballet famoso. O Lago do Cisne, por exemplo. Se ele é um bom professor, vai procurar uma fonte segura para "copiar". Vai escolher os bailarinos certos para os devidos papéis. Vai usar o mesmo figurino, a mesma música. É assim desde sempre. Ele não pode, não tem autorização para fazer modificações significativas. E ele, sendo um bom professor, saberá que algumas coisas podem ser mudadas sem prejuízo da coreografia. Mas nunca, em tempo algum, ele irá trocar o cisne branco pelo negro, nem irá tirar os fouettés da parte mais esperada do pas-de-deux. E tem mais uma coisinha que nunca irá acontecer se você estuda dança séria: seu professor JAMAIS dirá que aquela coreografia é dele.
Eu aprendi com todos os meus professores que a criação de outro deve ser respeitada. Veja bem, nem mesmo alguns ballets mais classudos me eram permitidos com alguns anos de dança. E meus professores estavam sempre certos: os clássicos são imortais porque devem ser preservados, cuidados.
Enfim, voltando à vida fora do palco. É muito chato quando você lê algo escrito por você assinado por outra pessoa. Inversamente proporcional, é simplesmente o máximo quando você encontra um texto seu no blog de uma outra pessoa, com seu nome ali, deixando claro o respeito que tiveram com o seu trabalho de pesquisar, criar, postar com todo o carinho aquele assunto.
Acho que no fundo, no fundo, tudo é uma questão de respeito mesmo. Dizem que a dança ensina um monte de coisas boas e talvez eu tenha aprendido essa lição além da sala de aula. E, como professora que sou, compartilho aqui com vocês.

Beijos para @, @, @ e @.

Um comentário:

Thaís disse...

Ana,

O texto ficou lindo! E a comparação na medida certa.

Os grandes clássicos sofrem mesmo desse mal. Primeiro porque já caíram em domínio público. E segundo porque a maioria foi coreografado pelos russos. Historicamente, sabemos que a cultura socialista russa evitou o sentido de propriedade. Desta forma, nunca reclamaram que o Lago dos Cisnes, Don Quixote, Giselle, La Bayadère e tantos outros fossem alterados, reincentados e recoreografados. Vai tentar alterar uma coreografia do Balanchine procê vê! É processo na certa pela Balanchine Foundation!

Mas a dança precisa sim ser protegida e respeitada. Isso só acontece com boa formação. E é por este ideal que nossos blogs estão a todo vapor! Não é mesmo?

Um beijão pra vc, querida!