terça-feira, 28 de fevereiro de 2012

Cinema

O ballet vai ao cinema, gente. Mais uma vez o Cinemark traz uma temporada de ópera e dança. Desta vez com a Royal Opera House. No programa de dança, Gisele e Romeu e Julieta (AO VIVO - para tudo!).
Confira tudo no site.


E uma prévia:





Quem vai, quem vai?

segunda-feira, 13 de fevereiro de 2012

Don Quixote - variações

Bailarin@s,
Don Quixote é um dos meus repertórios favoritos. Alegre, sensual, engraçado. Toda bailarina quer ser Kitry, não é mesmo? E existem papéis para todo tipo de aluno.
Minha amiga Lucienne me mandou os dois primeiros vídeos, que compartilho com vocês.



Don Quixote Opera de Paris
II Ato - Rainha das Dríades, com Delphine Moussin

Essa variação acontece na parte do ballet Don Quixote chamada "Sonho": desacordado pelo tombo que tomou lutando contra o moinho de vento, Dom Quixote tem um sonho encantado com a imagem de Kitry e sua amada Dulcinéia. Nesse sonho ele é flechado pelo cupido e confundido pelas dríades, que nunca deixam que ele se aproxime de sua amada.
É uma variação belíssima e que foge do resto do ballet completo, por ser muito lírica. Algumas companhias usam a mesma coreografia e música para a variação de Medora em O Corsário.



Don Quixote, Sonho, com Cynthia Harvey
American Ballet Theatre, 1983

Ainda em "Sonho", aqui vemos Cynthia Harvey no papel principal, Kitry, em uma variação que também foge dos elementos mais "calientes" de Don Quixote (o que volta a acontecer em grande estilo no último ato).



Sentiram a diferença? Não é incrível tanta diversidade e riqueza em um só ballet?

segunda-feira, 6 de fevereiro de 2012

A Bela Adormecida

Baseado na história de Charles Perrault sobre uma princesa recém-nascida que é amaldiçoada pela fada Carabosse a furar o dedo e morrer, A Bela Adormecida é visto como o auge da dança clássica e a grande realização da carreira de Petipa.
    Com música inspiradora, riqueza coreográfica e produção luxuosa, A Bela Adormecida definiu o ballet como uma importante arte e inspirou muitos coreógrafos de seus dias e foi reconhecido como sendo “de todas as artes” por Alexander Benois, porque todos os elementos do ballet em sua estréia atuaram com igual peso.
    Por volta de 1888, a audiência estava deixando de ir ao teatro e o diretor dos teatros imperiais Ivan Alexandrovitch Vsevolozhsky, escolhido pelo czar, sugeriu a Petipa que montasse A Bela Adormecida como forma de reavivar o interesse do público (e também como forma de dar uma última chance ao mestre de ballet, uma vez que estava quase o dispensando), o que não agradou muito a Petipa no começo, já que não gostava da idéia de alguém lhe dizendo o que deveria montar.
    O grande diferencial em Vsevolozhsky foi que ele fez com que todos os artistas envolvidos no projeto soubessem o que os outros estavam fazendo, pois naquela época, quando havia a produção de uma peça, cada artista trabalhava separadamente. No caso de A Bela adormecida, Vsevolozhsky desenhou as roupas e escreveu o libreto, enviando-o a Tchaikovsky e também escrevendo a ele sobre a concepção que tinha do que deveria ser: uma obra para reviver os ballets dos tempos da corte de Louis XIV, idéia que muito entusiasmou ao compositor.
    No entanto, pela má experiência com Julius Reisinger em O Lago dos Cisnes, Tchaikosvky se reuniu com Petipa várias vezes para que o coreógrafo lhe desse instruções sobre que tipo de música que queria para o ballet, instruções que Tchaikovsky seguiu acrescentando sua criatividade, concluindo sua tarefa rapidamente. Ele estava realmente empolgado com o tema e as idéias sobre o ballet, o que fez com que entre outubro de 1888 e maio de 1889 tenha trabalhado o ballet inteiro num total de 40 dias. Tanta empolgação e talento foram recompensados com o reconhecimento da música (ele ganhou 3000 rublos de contrato e mais 2000 de bônus pela música ser tão boa), que serve como verdadeiro ponto de coesão para o ballet, já que este é composto de muitos divertissements no meio da história.
Os ensaios começaram em agosto de 1889, durante os quais Petipa pediu alterações na partitura à medida que ia desenhando a coreografia e a encenação.
    Em 15 de janeiro de 1890 A Bela Adormecida estreou no Teatro Maryinski com a bailarina Carlotta Brianza como Aurora, que encantou o público pela sua excelente técnica e seu brilho no palco. Apesar de ser um sucesso com público, A Bela Adormecida não foi uma unanimidade entre os críticos, pois alguns reclamaram que a produção havia sido demasiado luxuosa e que a música de Tchaikovsky era muito séria. Além disso Tchaikovsky ficou decepcionado com o comentário do czar que avaliou sua música como apenas “muito boa”, pois o compositor reconheceu na música de A Bela Adormecida um dos seus melhores trabalhos.
    Apesar das controvérsias, no entanto, o ballet se tornou rapidamente popular, tendo sido apresentado 50 vezes entre sua estréia e o final de 1892.
    Atualmente o ballet não é encenado com todos os divertissiments criados para ele, uma vez que tornam a produção muito longa  e também a montagem não é tão dispendiosa como nos dias de sua estréia, uma vez que muitas companhias não podem suportar tais gastos. Comumente é encenada uma peça condensada do ballet chamada As Bodas de Aurora.

Curiosidades:
A versão de Tchaikovsky/Petipa não foi a primeira ser dada para o conto de fadas.
Enrico Cecchetti participou do ballet, tendo sido a primeira Carabosse e o primeiro pássaro azul.
A variação da fada Violante (a fada dos dedos) incorporou movimentos que lembravam descargas de energia para representar a natureza da eletricidade, novidade na época.
A Bela Adormecida foi o primeiro ballet assistido por Anna Pavlova e que a fez querer ser bailarina.
A aparição de Apolo no final do ballet é uma homenagem á Louis XIV.

Libreto: Marius Petipa e Alexandrovitch Ivan Vsevolozhsky
Música: Pyotr Ilyich Tchaikovsky
Coreografia: Marius Petipa

Prólogo: No salão do palácio Cattalabutte, o mestre de cerimônias recebe os convidados para o batizado da recém-nascida princesa Aurora e os dirige a seus respectivos lugares, os pais da criança fazem sua entrada e são reverenciados. As fadas do reino chegam e começam a oferecer seus presentes à princesa, porém antes que a fada mais poderosa na festa, a Fada dos Lilases, ofereça seu presente, um trovão é ouvido e os soldados entram aterrorizados anunciando a chegada de Carabosse, a fada mais poderosa de todo o reino. Consultando a lista de convidados, o rei Florestan XIV descobre que a fada não foi convidada por Cattalabutte, que acreditava que, de tão velha, Carabosse já estava morta. Ela faz sua entrada numa carruagem carregada por ratos  e ataca Cattalabutte, arrancando seu cabelo e dando aos ratos. Furiosa, ela lança uma maldição sobre a menina: ela crescerá linda e encantadora, mas um dia espetará seu dedo e morrerá. A rainha implora pela vida de sua filha, mas Carabosse se prepara para ir-se quando é interrompida pela Fada dos Lilases, que diz que a menina não morrerá, mas dormirá profundamente durante muito tempo até ser despertada pelo beijo de um homem nobre que a ame.
Carabosse, revoltada apela para as outras fadas e não recebendo ajuda vai embora. Os pais da menina e toda a corte prometem protegê-la.

Ato I: Vinte anos depois, nos jardins do palácio, todos os preparativos para a festa de aniversário de Aurora são feitos quando um bando de mulheres, portanto objetos afiados, é descoberto por Cattalabutte, que tenta mandá-las embora antes que o rei as veja. O rei vendo os objetos que foram proibidos condena as mulheres, mas quatro príncipes intercedem por elas. A tensão se esvai e uma valsa com guirlandas é dançada pelos camponeses. A princesa chega e é cortejada pelos quatro príncipes. No entanto, no decorrer da festa uma pessoa vestida de preto presenteia Aurora com agulhas, que nunca tendo visto tais objetos começa a brincar com elas e espeta o dedo. A princesa cai desmaiada e a pessoa se revela ser Carabosse, que numa gargalhada, desaparece triunfante. A Fada dos Lilases aparece e garante que a princesa não está morta e que a levem para seus aposentos. Após isso, a fada faz com que todos no reino durmam e que uma densa vegetação o cubra.

Ato II:
Cena I: Cem anos depois durante uma caçada, o príncipe Desiré está melancólico e pede a seu acompanhantes que o deixem só. Então tem uma visão da princesa Aurora enviada pela Fada dos Lilases. Encantado com sua beleza, pergunta quem é ela e a fada, com sua magia, torna a imagem de  Aurora tão real como se ela realmente estivesse na floresta, o príncipe dança com ela, então a visão se desvanece. Desiré implora à fada que o leve até a princesa e ela o convida a entrar no barco que os levará até Aurora. Ao chegar ás portas do castelo, o príncipe luta contra Carabosse e , vencendo a luta, desperta a princesa Aurora com um beijo.
Panorama: O bote desliza sobre o rio enquanto a Fada dos Lilases explica ao príncipe o que aconteceu.
Cena II: Desiré e fada chegam aos jardins do palácio onde todos ainda estão dormindo, entram no quarto de Aurora e o príncipe pergunta o que deve fazer. Ao ser pedido para pensar, Desiré avança em direção à cama e deposita um beijo na testa de Aurora. Todos acordam enquanto a poeira e as teias de aranha somem. Desiré pede a mão de Aurora ao rei Florestan XIV, que é concedida.

Ato III: O castelo é preparado para o casamento da princesa Aurora e do príncipe Desiré. À celebração comparecem as fadas (até mesmo Carabosse) e vários personagens de contos de fadas como gato de botas, pássaro azul e Cinderela.
Finalmente, Aurora e Desiré se casam e recebem a bênção da fada dos lilases.

Apoteose: Apolo preside uma reunião entra as fadas

Observação: Em algumas versões, o nome do príncipe foi mudado para Florimund.


Fontes:
Le Monde du Ballet
BalletAlert
BalletMet

Paquita

Esse ballet em dois atos conta a história de Paquita, criada por ciganos, que salva a vida do filho de um general francês, Lucien. Sua estréia foi em 1 de Abril de 1846, na Academia Real de Música de Paris, com libreto de Joseph Mazilier e Pierre Foucher e coreografia de Joseph Mazilier, com música de Edouard Marie Ernest Deldevez. No ano seguinte, Petipa o produziu como seu trabalho de estréia para o Ballet Imperial e, em 1881, pediu a Minkus, que adicionasse música para um Pas de Trois (coda), que foi levado para Ato I e uma mazurka para crianças e um Grand Pas, ambos a serem acrescentados ao final do ballet, daí o porquê de muitas músicas lembrarem Don Quixote. É por essas peças que o ballet é mais conhecido. Com Carlotta Grisi no papel-título e Lucien Petipa como Lucien. Foi fruto dos gostos exóticos do ballet romântico que prezavam tons de outras culturas. A história se passa na Espanha, durante o período em que o país enfrentava a invasão napoleônica, e conta a história de Paquita, uma moça que foi raptada na infância por ciganos, que mataram seus pais e a criaram. Ela conhece Lucien d’Hervilly, filho de um general francês, que logo se apaixona por ela. Lucien, porém, está comprometido com Serafina, filha de um governador espanhol, D. Lopez de Mendonza. Um compromisso feito por razões políticas e que não empolga a nenhum dos dois envolvidos e enfurece Mendonza, que não deseja ver sua filha casada com um francês. No começo, Paquita não aceita as investidas de Lucien, por ser de um nível social inferior ao do rapaz. O casal também tem que lidar com Inigo, um cigano apaixonado por Paquita e que trama com governador para matar Lucien. O nobre é levado à casa de Inigo para ser assassinado, mas Paquita o alerta, frustrando os planos do cigano. O clímax surge quando os apaixonados descobrem que Paquita é nobre, prima de Lucien e os dois podem se casar. A coreografia por Mazilier foi criada para explorar as grandes habilidades de Carlotta Grisi, que já havia encantado platéias com sua Giselle cinco anos antes da estréia de Paquita. De Giselle também veio o intérprete de Lucien, o bailarino Lucien Petipa, que havia sido o Albretch de Carlotta. O divertissement final acrescentado por Petipa é uma mostra do mais puro classicismo, com brilhantes passagens de virtuosismo. Como o ballet logo desapareceu dos palcos de Paris na segunda metade do século XIX, mas na Rússia continuou a ser encenado até os anos XX, a coreografia de Mazilier se perdeu e o ballet passou a ser conhecido pelo Grand Pas de Petipa. Na Rússia o então diretor do Kirov, Oleg Vinagrodov, transformou o Pas de Trois e o Grand Pas em um divertissement, em 1978. Antes disso, o ballet havia recebido versões de Danilova, Balanchine e Nureyev. Sua versão, no entanto, utiliza a história de uma maneira ligeira, como um mero pretexto para as danças. Inclusive variações virtuosas para homens, que no original eram feitas por mulheres en travesti. Em 2001, Pierre Lacotte recriou o ballet em sua pantomima original. Essa versão utiliza bastante mímica para contar a história e resgata se não a coreografia de Mazilier, o estilo de dançar do século XIX.

Ato I, cena I: O grupo de um nobre, Lucien, para em um acampamento cigano para descansar. Lá, ele conhece Paquita e logo se apaixona por ela. A moça, no entanto é alvo das atenções de Inigo, o chefe dos ciganos e começa a tramar contra a vida do rapaz e o convida para jantar. Lucien, por sua vez, já está comprometido.

Ato I, cena II: Mostra a casa de Inigo e Paquita. Inigo e o governador conspiram para matar Lucien. O plano consiste em drogar Lucien durante um jantar para poder esfaqueá-lo. No entanto, Paquita ouve a conversa e avisa a Lucien e os dois fogem da casa. Essa cena é feita de mímica na maior parte.

Ato II: Enquanto acontecem os preparativos para o casamento entre Lucien e Serafina, ele chega com Paquita e pede que ela se case com ele. Ela não quer aceitar por ser cigana, mas ela percebe um retrato igual ao que ela leva em um camafeu, descobrindo que além de nobre, é prima de Lucien. Dessa forma, eles podem casar. É nesse ato que podemos ver o famoso Grand Pas Classique.

Fonte: Le Monde du Ballet

Variações para estudar

Bailarin@s,
Estou ensinando (em caráter de conhecimento mesmo - e, quem sabe talvez para as apresentações do ano), algumas variações para a turma do meu grupo de dança (começamos no sábado, yey!!!!).
Para facilitar a vida, aqui vão elas. Logo mais posto as histórias desses ballets tão legais.

Estudem, estudem, estudem. Sim, na dança o conhecimento teórico também faz milagres pelo corpo.

Beijo grande, boa semana.


Variações de Paquita:








Variação Fada dos Dedos - Fada Golden Vine ou Brave Fairy ou Violente (olha que legal, temos várias versões no primeiro vídeo: Bolshoi Ballet 1989, Kirov/Mariinsky 1990s, Royal Ballet 2006, Mariinsky 2006)