terça-feira, 29 de janeiro de 2013

No Ballet Giselle

Por Aguinaldo de Souza

Giselle nasceu suave, era fraca do coração, não podia fazer esforço físico, não servia para o trabalho da colheita, nem podia dançar nos bailes da aldeia. Sua vida era um sopro, não suportaria sobressaltos. 


Até que teve sua cota de desilusão: traída pelo homem amado, que banal. Num acesso de raiva e revolta interna, Giselle torna-se forte o suficiente para ir ao centro da aldeia e dançar. Dançar todas as alegrias não manifestadas, dançar todo ódio escondido. Dançar pra que seu corpo pudesse expurgar todo o sofrimento de sua vida, uma vida inútil, protegida, resguardada sem emoção boa, nem ruim. 

Dançou até que seu peito explodisse, até que seu coração não aguentasse... Giselle, na mais linda das mortes, optou por dançar até que seu corpo dilatasse, até que sua alma saísse dele...
Depois, como todos, foi jogada numa cova de lápide feia no fundo de uma floresta escura.
Eu sei que este é só o primeiro ato, mas é só o que veríamos em vida. 


HOJE EU QUERIA (muito) SER GISELLE.

segunda-feira, 28 de janeiro de 2013

Primeira aula de 2013

Toshie Kobayashi é diva. Minha professora querida, a quem, juntamente com a Fatima, devo tanto.

Começar o ano com ela e com Maria Inês ao piano foi entrar em cena com o pé direito. Dona Toshie vive a dança, não à toa está sempre transbordando energia.

Obrigada! É só o que tenho a dizer.



quarta-feira, 16 de janeiro de 2013

Correndo pro ano começar

Bem, bailarin@s, vocês já viram o motivo da minha correria de começo de ano, né?

Mas estou passando aqui pra dar um recado que acho que ficou faltando... eu queria dizer que o blog vai continuar sendo meu, da Ana Yazlle pessoa física, porque é aqui que posso expressar a minha dança "no papel" e também porque tenho um carinho assim pelo Plano B que não sei explicar, sabem?

Hoje estava pensando no medo que dá ter um negócio e ser engolida por ele. Mas acho que se um dia o negócio não tiver meu coração, minha alma, minha dança, ele não será pra mim (bate na madeira).

Próximos recados: tudo indica que vou começar a jornada do ano balético em grande estilo, com uma das minhas professoras preferidas dando um curso para professores com a minha pianista mais que amada do mundo. Alguém aposta quem são? Se for confirmado, venho aqui colocar fotos depois.

O próximo recado é para os homens. Não é promoção, não é merchan... é só pra avisar que os rapazes têm bolsa de estudos na Bravo! Ballet. Acho importante contar isso. A gente sabe dos inúmeros preconceitos e dificuldades que os homens enfrentam quando decidem fazer ballet. Poder oferecer bolsa é o mínimo que a gente pode fazer para amenizar as coisas. Portanto, meninos, vejam já o post que fizemos sobre isso e entrem em contato com a escola: http://www.facebook.com/bravoballet

Mal posso esperar pra calçar minha sapatilha. Acho que nunca senti tanta saudade do ballet assim.

Beijos!




segunda-feira, 7 de janeiro de 2013

Bravo! Ballet

Bailarin@s, feliz 2013.
Que todos tenham começado com o pé direito, bem esticado.

Eu acho que comecei.

Hoje falei muito rapidamente com uma amiga querida pelo Skype. Falamos sobre as férias, sobre as novidades, sobre algo muito legal que está acontecendo na minha vida. Quer dizer, eu acho tudo isso e também às vezes tenho dúvidas e medos, mas, como essa minha amiga é um pouco mais velha que eu e, sem dúvida, muito mais madura, ela me disse o que eu precisava ouvir: "as coisas vêm no seu tempo certo."

O tempo certo pra mim começou exatamente no dia em que Helena nasceu. É um clichezão o que vou dizer, mas quando se têm filhos, você precisa urgentemente mudar o mundo. É tão difícil explicar isso, fazer essa vontade ser compreendida por inteiro, que muitas e muitas vezes eu desisto de falar. Mas basicamente o amor toma conta da sua vida, e não é paixão que a gente sinta desmioladamente. É um amor cheio, ave, uma coisa que nunca eu saberia se não tivesse ela. E também uma coragem.

Aí começou o processo de mudar o meu mundo. E, justamente neste momento, apareceram duas pessoas que tinham o plano para isso. Eu conheci a Thais Gondar, do Ponta Perfeita, pela internet e por nossos blogs terem coisas em comum e bastante visitação. O processo para ela aconteceu de outra forma, muito bem descrito neste post. E eu, depois de muito ouvir do Rodrigo que não tinha como dar errado, comprei a ideia. Eu e a Anna Rita.

Explicando de outra forma, nós três pensamos que estava na hora de juntar professores incríveis, numa grade de horários possível, em um lugar que valorize a dança clássica de verdade. Existem muitas escolas de ballet excelentes em São Paulo. Eu mesma já falei de várias. Mas não estava encontrando uma que me atendesse. E, assim como eu, existem milhares de pessoas que querem fazer ballet, mas acabam encontrando dificuldade com horários e com métodos.

Toda semana eu recebo e-mails de adultos querendo praticar ballet. O ballet é para quem não acredita em academia, em ginástica convencional, em outros tipos de treinamento. Mas não é por isso que ele precisa ser um "balézinho". Desculpem o termo, eu não sei explicar de outra forma. Mas não gosto nem de ballet de escolinha, que fica entre o lúdico e a educação física. Aprendi a vida inteira que a dança tem que ser respeitada. Quer ensinar ballet clássico de verdade? Estude de verdade primeiro. Faça aulas, porque, como dizia minha antiga professora, ballet se mostra nas pernas, não na língua. Seja a melhor bailarina que você puder para ser uma boa professora. Conheça a história, um tanto de anatomia, tenha ouvido para a música. É fácil, vai.

Não gosto de mimimi, por isso paro por aqui.

O fato é que é por causa disso tudo que a Bravo! Ballet nasceu e que ela, para uma pessoa como eu, que não sabe muito separar a PF da PJ, é tipo uma filha mais nova.

As pessoas que eu mais amo na vida parecem estar muito feliz com essa minha decisão. Todas elas, todas (!) me dizem que estou fazendo a coisa certa, estão me dando muito mais que um apoio, estão me dando um verdadeiro empurrão. Eu acho que não preciso de mais motivo nenhum para ter medo: a hora chegou.

Obrigada, Rodrigo, por me dar o pontapé inicial.
Obrigada, Helena, por me querer fazer mudar o mundo.
Obrigada, mãe, a primeira bailarina que eu conheci.
Obrigada, Carlinhos, seu sorriso ontem me deu vontade de quebrar seu carro mais vezes.
Obrigada, Chichita e família, grande exemplo.
Obrigada, pai, meu grande incentivador no mundo da dança.
Obrigada, Thais e Anna Rita, pelo convite e pela parceria.
Obrigada Pin, pelas palavras de hoje.