segunda-feira, 14 de outubro de 2013

O Corsário no Cinema

Bailarin@s,

Tenho uma ótima dica para o próximo fim de semana. E ela veio bem a calhar hoje, depois que vi no YAGP um pas-de-trois que quase derrubou o Teatro Alfa abaixo, de tão lindo.
Mais uma vez, por uma iniciativa das empresas de entretenimento no Brasil, vamos poder assistir a uma montagem completa de ballet no cinema! Desta vez com uma da companhias mais famosas de dança no mundo, o Bolshoi, que chega às telas dos cinemas do Brasil com a UCI em uma temporada cheia de clássicos.
A abertura será com a aclamada obra “O Corsário”, que foi inspirada num conto de Lord Byron. Quando fiz faculdade, logo no primeiro ano, o professor de literatura pediu que cada um escolhesse um texto de qualquer autor do mundo para analisar. Adivinham qual foi o meu? Revirei o romantismo do avesso e vou dizer uma coisa: O Corsário é uma das coisas mais lindas do mundo, uma obra que a gente tem que agradecer todos os dias por ainda estar sendo encenada. Isso é cultura, gente!
A montagem de "O Corsário" que o UCI vai apresentar foi gravada a partir de uma exibição ao vivo no palco do teatro Bolshoi, e a produção impressiona o público em uma cena com mais de 120 bailarinos no palco.
Os ingressos para as exibições custam R$ 60 (inteira) e R$ 30 (meia).


Segue a agenda:

O Corsário
19 e 20 de Outubro de 2013


Sábado – às 17h
Domingo – às 14h

Cinemas que irão exibir:

UCI Santana Parque Shopping
Rua Conselheiro Moreira de Barros, 2780
Santana – São Paulo – São Paulo
CEP: 2430-001

UCI Jardim Sul
Av. Giovanni Gronchi, 5819/ 501 a 511km
Morumbi – São Paulo – SP
CEP: 5724-003

UCI Anália Franco
Av. Regente Feijó, 1759/ Qd 4/ Loja 40
Nível Lírio – São Paulo – SP
CEP: 3342-000

Obs.: O ballet tem três horas de duração, não sendo recomendado para crianças pequenas.

Querem saber mais da história?

Música: Adolphe Adam
Coreografia original: Marius Petipa
Remontagem: Alexei Ratmansky e Yuri Burlaka

O ballet é contado em três atos, com prólogo e epílogo, e começa em alto mar, onde o navio de Conrado, líder dos corsários, enfrenta uma tempestade. Apesar dos esforços de sua tripulação, o navio acaba encalhando na costa de uma ilha grega. Conrado e seus homens, Birbanto e o escravo Ali, são encontrados na praia por um grupo de jovens, lideradas por Medora e sua melhor amiga Gulnara. Eles contam sobre suas aventuras e como foram parar naquele lugar, e durante o relato, Medora e Conrado imediatamente se apaixonam. Elas são surpreendidas por Lankedem, um mercador de escravos que as captura e as leva para serem vendidas por altos preços. Os corsários ficam a espreita, seguem seus passos e passam por diversas aventuras na tentativa de resgatá-las.



O'er the glad waters of the dark blue sea,

Our thoughts as boundless, and our souls as free,

Far as the breeze can bear, the billows foam,

Survey our empire and behold our home!

These are our realms, no limits to their sway —

Our flag the sceptre all who meet obey.

(Lord Byron)


quinta-feira, 26 de setembro de 2013

Fitas na sapatilha de ponta

Voltando em grande estilo, espero!

Bailarin@s, não sei se todo mundo acompanha a fanpage da Bravo! Ballet no Facebook, mas para quem não sabe, fizemos uma parceria muito legal com a Repetto, e para dar início a ela recebemos duas consultoras na escola para ajudar as alunas e visitantes a escolher sua sapatilha ideal. Já vou avisando aqui que esta iniciativa partiu da própria Repetto (o que nos enche de orgulho) e que não tem nada a ver com vender produtos, pois esta não é (mesmo) a finalidade da marca. O intuito é se aproximar dos bailarinos brasileiros, pois a dança é de verdade a essência da marca, o que faz a gente gostar ainda mais dela.

Bem, toda essa introdução é só para contar que depois de anos usando a Gaynor eu finalmente vou voltar a subir em pontas mais artesanais. Os professores amam essa ideia, e para falar a verdade, eu também. A Gaynor é confortável, silenciosa e, o principal, segura bastante meu colo de pé. Com ela eu consigo, por exemplo, saltar nas pontas. Foi um grande progresso na minha vida de bailarina, não posso negar. Mas por segurar meu colo, as linhas dele não ficam valorizadas. E eu estava realmente precisando voltar às origens.

Então lá vamos nós...

Um dos meus maiores problemas com sapatilhas comuns é não sentir que ela me segura, que abraça meus pés. Por isso eu decidi colocar a fita e o elástico de uma maneira diferente desta vez. Ah, toda essa pesquisa eu fiz para o Fitting que fizemos na escola. Juro, estou craque em costurar fita e elástico em sapatilhas de ponta.

Como vocês devem saber, existem algumas formas de fazer isso, e a que escolhi é a costura contínua das fitas. Isso quer dizer que para cada pé uso apenas uma fita inteira e não dois pedaços, passando o meio da fita por entre a palmilha e a sola interna. Dessa forma, acho que a sapatilha ficará mais firme no meu pé, pois puxo também a parte de baixo dele ao amarrar as fitas. Se vai dar certo? Ainda não sei. Me parece que sim, mas só vou conseguir contar isso para vocês conforme os ensaios vão acontecendo.

Por enquanto, aproveitem este tutorial de como costurar fitas e elástico (por fora desta vez) de um novo jeito!

E me contem se gostaram.

Beijo grande!





sexta-feira, 16 de agosto de 2013

Projetos

Uma das coisas mais surpreendentes no mundo da dança é observar o quanto ela é - e em alguns casos não é - importante na vida das pessoas.
Nesses meses trabalhando como diretora artística da Bravo!, tenho visto de tudo.
Sério mesmo. Desde gente que encara a dança como uma atividade física prazerora e ponto até aqueles que sofrem por causa do ballet.
Sofrem de chorar mesmo, porque não têm o físico que queriam, porque a perna não sobe, porque não gostam do que veem no espelho.
Tem os que não ligam para nada disso, e dançam conforme sua música interior.
Tem os que vêm meio que sem saber por que.
E tem os que vêm com brilho nos olhos. São justamente esses que fazem brilhar os meus também. Não reparo no pé, na perna, nada disso. Apenas vejo que a dança para eles têm a mesma importância que dou. São aqueles que fazem a aula com alma. E eu tenho tido a sorte de encontrar pessoas assim na escola.

Estava agorinha mesmo conversando com nossa professora de contemporâneo, uma pessoa incrível e talentosa (ela merece um post aqui qualquer dia desses). Ela é toda forte, pois, além de bailarina, é artista circense (nada menos do que do Cirque du Solei). Mas concordamos numa coisa: a dança está muito além dos músculos. É por isso que tem tanta gente linda sem alma e é por isso que quem tem brilho nos olhos merece dançar. Quando você projeta no seu corpo aquilo que tem na alma, há sempre uma evolução muito grande.

A dança começa dentro. É isso.

Beijos a todos.


sexta-feira, 12 de abril de 2013

Sapatilhas de ponta - marcas mais famosas

O post mais visitado aqui do blog é sobre sapatilhas de ponta. Ontem, na escola, fiquei conversando com alunas sobre qual seria uma bem bonita para fotos, que valorizasse o pé, etc.
Por isso surgiu uma postagem no Facebook da Bravo! Ballet, que faço questão de compartilhar aqui.
Eu uso a Gaynor, mas confesso que é um vício meu, porque ela estabiliza meu pé, que é bem arqueado e flexível. Só que não acho ela muito bonita.
Estou pensando na Bloch, porque as bailarinas com mais colo de pé parecem preferir (e estou in love com minha meia-ponta nova da marca). A Freed seria uma boa opção também, mas ela não é muito durável.
E aí? Quais as apostas para a próxima tentativa de largar a Gaynor?

Beijos!


terça-feira, 2 de abril de 2013

Propaganda

Já vou avisando. Este post foi patrocinado. Por mim mesma. É uma propaganda descarada minha. Que eu criei. Do começo ao fim.
Explico: há muitos anos, eu estava criando meu portfólio profissional em propaganda. Como algumas pessoas sabem, nessas pastas a gente cria anúncios-fantasma, que não chegam ser a veiculados, mas onde a gente coloca os melhores trabalhos criativos.
Em especial, eu criei um anúncio publicitário para uma escola de ballet imaginária. Ela só existia nos meus sonhos.
Isso faz um tempão.
E hoje que ela é realidade o anúncio fantasma virou post do Facebook. Um montão de gente já viu. Trocentas pessoas curtiram. Outras compartilharam.
No fundo, no fundo, o que eu estou querendo dizer aqui é que tudo aquilo que a gente projeta pode sair do papel. Pode sair de uma pasta empoeirada no fundo de um armário e tomar a proporção que você deixar.




Beijão para vocês, bailarin@s.


Um update: já me pediram os links do site e do Facebook que eu, dãr, esqueci de colocar.

Aí estão:

bravoballet.com.br
facebook.com/bravoballet



terça-feira, 29 de janeiro de 2013

No Ballet Giselle

Por Aguinaldo de Souza

Giselle nasceu suave, era fraca do coração, não podia fazer esforço físico, não servia para o trabalho da colheita, nem podia dançar nos bailes da aldeia. Sua vida era um sopro, não suportaria sobressaltos. 


Até que teve sua cota de desilusão: traída pelo homem amado, que banal. Num acesso de raiva e revolta interna, Giselle torna-se forte o suficiente para ir ao centro da aldeia e dançar. Dançar todas as alegrias não manifestadas, dançar todo ódio escondido. Dançar pra que seu corpo pudesse expurgar todo o sofrimento de sua vida, uma vida inútil, protegida, resguardada sem emoção boa, nem ruim. 

Dançou até que seu peito explodisse, até que seu coração não aguentasse... Giselle, na mais linda das mortes, optou por dançar até que seu corpo dilatasse, até que sua alma saísse dele...
Depois, como todos, foi jogada numa cova de lápide feia no fundo de uma floresta escura.
Eu sei que este é só o primeiro ato, mas é só o que veríamos em vida. 


HOJE EU QUERIA (muito) SER GISELLE.

segunda-feira, 28 de janeiro de 2013

Primeira aula de 2013

Toshie Kobayashi é diva. Minha professora querida, a quem, juntamente com a Fatima, devo tanto.

Começar o ano com ela e com Maria Inês ao piano foi entrar em cena com o pé direito. Dona Toshie vive a dança, não à toa está sempre transbordando energia.

Obrigada! É só o que tenho a dizer.



quarta-feira, 16 de janeiro de 2013

Correndo pro ano começar

Bem, bailarin@s, vocês já viram o motivo da minha correria de começo de ano, né?

Mas estou passando aqui pra dar um recado que acho que ficou faltando... eu queria dizer que o blog vai continuar sendo meu, da Ana Yazlle pessoa física, porque é aqui que posso expressar a minha dança "no papel" e também porque tenho um carinho assim pelo Plano B que não sei explicar, sabem?

Hoje estava pensando no medo que dá ter um negócio e ser engolida por ele. Mas acho que se um dia o negócio não tiver meu coração, minha alma, minha dança, ele não será pra mim (bate na madeira).

Próximos recados: tudo indica que vou começar a jornada do ano balético em grande estilo, com uma das minhas professoras preferidas dando um curso para professores com a minha pianista mais que amada do mundo. Alguém aposta quem são? Se for confirmado, venho aqui colocar fotos depois.

O próximo recado é para os homens. Não é promoção, não é merchan... é só pra avisar que os rapazes têm bolsa de estudos na Bravo! Ballet. Acho importante contar isso. A gente sabe dos inúmeros preconceitos e dificuldades que os homens enfrentam quando decidem fazer ballet. Poder oferecer bolsa é o mínimo que a gente pode fazer para amenizar as coisas. Portanto, meninos, vejam já o post que fizemos sobre isso e entrem em contato com a escola: http://www.facebook.com/bravoballet

Mal posso esperar pra calçar minha sapatilha. Acho que nunca senti tanta saudade do ballet assim.

Beijos!




segunda-feira, 7 de janeiro de 2013

Bravo! Ballet

Bailarin@s, feliz 2013.
Que todos tenham começado com o pé direito, bem esticado.

Eu acho que comecei.

Hoje falei muito rapidamente com uma amiga querida pelo Skype. Falamos sobre as férias, sobre as novidades, sobre algo muito legal que está acontecendo na minha vida. Quer dizer, eu acho tudo isso e também às vezes tenho dúvidas e medos, mas, como essa minha amiga é um pouco mais velha que eu e, sem dúvida, muito mais madura, ela me disse o que eu precisava ouvir: "as coisas vêm no seu tempo certo."

O tempo certo pra mim começou exatamente no dia em que Helena nasceu. É um clichezão o que vou dizer, mas quando se têm filhos, você precisa urgentemente mudar o mundo. É tão difícil explicar isso, fazer essa vontade ser compreendida por inteiro, que muitas e muitas vezes eu desisto de falar. Mas basicamente o amor toma conta da sua vida, e não é paixão que a gente sinta desmioladamente. É um amor cheio, ave, uma coisa que nunca eu saberia se não tivesse ela. E também uma coragem.

Aí começou o processo de mudar o meu mundo. E, justamente neste momento, apareceram duas pessoas que tinham o plano para isso. Eu conheci a Thais Gondar, do Ponta Perfeita, pela internet e por nossos blogs terem coisas em comum e bastante visitação. O processo para ela aconteceu de outra forma, muito bem descrito neste post. E eu, depois de muito ouvir do Rodrigo que não tinha como dar errado, comprei a ideia. Eu e a Anna Rita.

Explicando de outra forma, nós três pensamos que estava na hora de juntar professores incríveis, numa grade de horários possível, em um lugar que valorize a dança clássica de verdade. Existem muitas escolas de ballet excelentes em São Paulo. Eu mesma já falei de várias. Mas não estava encontrando uma que me atendesse. E, assim como eu, existem milhares de pessoas que querem fazer ballet, mas acabam encontrando dificuldade com horários e com métodos.

Toda semana eu recebo e-mails de adultos querendo praticar ballet. O ballet é para quem não acredita em academia, em ginástica convencional, em outros tipos de treinamento. Mas não é por isso que ele precisa ser um "balézinho". Desculpem o termo, eu não sei explicar de outra forma. Mas não gosto nem de ballet de escolinha, que fica entre o lúdico e a educação física. Aprendi a vida inteira que a dança tem que ser respeitada. Quer ensinar ballet clássico de verdade? Estude de verdade primeiro. Faça aulas, porque, como dizia minha antiga professora, ballet se mostra nas pernas, não na língua. Seja a melhor bailarina que você puder para ser uma boa professora. Conheça a história, um tanto de anatomia, tenha ouvido para a música. É fácil, vai.

Não gosto de mimimi, por isso paro por aqui.

O fato é que é por causa disso tudo que a Bravo! Ballet nasceu e que ela, para uma pessoa como eu, que não sabe muito separar a PF da PJ, é tipo uma filha mais nova.

As pessoas que eu mais amo na vida parecem estar muito feliz com essa minha decisão. Todas elas, todas (!) me dizem que estou fazendo a coisa certa, estão me dando muito mais que um apoio, estão me dando um verdadeiro empurrão. Eu acho que não preciso de mais motivo nenhum para ter medo: a hora chegou.

Obrigada, Rodrigo, por me dar o pontapé inicial.
Obrigada, Helena, por me querer fazer mudar o mundo.
Obrigada, mãe, a primeira bailarina que eu conheci.
Obrigada, Carlinhos, seu sorriso ontem me deu vontade de quebrar seu carro mais vezes.
Obrigada, Chichita e família, grande exemplo.
Obrigada, pai, meu grande incentivador no mundo da dança.
Obrigada, Thais e Anna Rita, pelo convite e pela parceria.
Obrigada Pin, pelas palavras de hoje.