terça-feira, 15 de março de 2011

Marius Petipa

Recebi o texto abaixo por e-mail (não sei de quem é, sorry) e achei interessante dividir aqui um pouco sobre o maior coreógrafo de ballet de todos os tempos.
Marius Petipa sempre foi meu preferido, seus ballets, para mim, são os mais emocionantes, ainda que muita coisa nova e bela tenha sido criada depois.
Aproveitem para conhecer melhor o pai de O Lago do Cisne, A Bela Adormecida e tantos outros ballets que povoam nossos sonhos e nossas vidas.


Em 11/3/1818 nascia Marius Petipa, na cidade de Marselha. Filho de um bailarino, coreógrafo e professor, Jean Antoine Petipa, que incentivou sua carreira e a de seu irmão, Lucien, Petipa começou seus estudos na dança aos 7 anos e ainda menino participou de La Dansomanie de Pierre Gardel numa produção de seu pai, em 1831, no Theatre de la Monnaie, em Bruxelas, na Bélgica, embora no começo não gostasse do ballet.

Com a guerra, sua família se mudou para Bordeaux, onde seu pai se tornou mestre de ballet do Ballet du Grand Théâtre e Petipa completou seus estudos no ballet com Auguste Vestris. Aos 20 anos mudou-se para Nantes, onde se tornou primeiro-bailarino, em 1838. Nessa cidade Petipa criou seus primeiros divertissements.

No ano seguinte participou, com seu pai e outros bailarinos, de uma turnê pelos Estados Unidos. Depois dessa turnê, que foi um fracasso, foi para Paris onde estreou com bailarino ao lado de Carlotta Grisi.

Em 1941 aceitou o cargo de primeiro bailarino na cidade de Bordeaux, onde prosseguiu seus estudos com Auguste Vestris e dançou Giselle, La Fille Mal Gardée e La Péri, tendo novamente sido partner de Carlotta Grisi.

Nessa cidade, Petipa montou seus primeiros trabalhos, como La Jolie Bordelaise, La Vendange, L’Intrigue Amoureuse e Le Langage des Fleurs, porém seu empresário em Bordeaux faliu e ele foi trabalhar em Madrid no Teatro do Rei.

Lá estudou dança espanhola, permaneceu por 4 anos como bailarino e coreografou os trabalhos Carmen et son Toréro, La Perle de Séville, L’Aventure d’une Fille de Madrid, La Fleur de Grenade, and Départ pour la Course des Taureaux, todos com forte influência da dança espanhola.

No entanto, se envolveu amorosamente com a esposa de um marquês, que o desafiou para um duelo, levando-o a fugir e chegar, em 1847, a São Petersburgo. Lá ele substituiu Emile Gredlu como primeiro-bailarino.

Para sua estreia, ajudou a montar Paquita, gozando de muito sucesso. No ano seguinte, seu pai se juntou a ele no teatro imperial e montaram Le Diable Amoreux, estreado com o título de Satanella. Por essa duas montagens Petipa foi reconhecido como tendo elevado novamente a companhia do teatro imperial ao seu nível de esplendor, que estava em baixa desde a partida de Marie Taglioni em 1942.

Em 1949 apresentou seu primeiro ballet completo, chamado Leda, e montou alguns outros trabalhos, porém se envolveu cada vez mais com seu trabalho como bailarino, o que não deixava tempo para trabalhar em coreografias.

No mesmo ano Jules Perrot chegou à Rússia e se tornou mestre de ballet sob a proteção de Fanny Elssler. Petipa então desenvolveu cada vez mais seu talento para criar pequenos ballets, trabalhando em A Regency Marriage (1858), The Parisian Market (1859) and The Blue Dahlia (1860), todos dançados por sua esposa, Maria Sergeyevna Surovshchikova.

Somente em 1855 Petipa voltou a apresentar um ballet seu com música de Cesare Pugni chamado The Star of Granad.

Em 1858 Jules Perrot deixou a Rússia, e Petipa, que já era professor da Escola Imperial de Ballet, esperava assumir o posto de mestre de ballet, mas ao invés disso, o coreógrafo francês Arthur Saint-León foi contratado.

Porém Petipa foi nomeado segundo mestre de ballet após o grande sucesso de A Filha do Faraó, que ele criou em apenas seis semanas, com música de Pugni, para a despedida dos palcos da prima ballerina Carolina Rosati e que teve sua estreia em 1962.

Os temas exóticos estavam em alta na época e o fascinante cenário egípcio combinado ao requinte e opulência da produção, com duração de mais de 4 horas, tornaram A Filha do Faraó o ballet favorito durante muitos anos.

Durante esse período havia um grande clima de rivalidade entre Petipa e Saint-León, o que serviu para enriquecer o repertório do ballet russo, já que o sucesso do ballet de um era seguido pelo sucesso do ballet do outro que desejava superar-lhe.

Finalmente, em 1869, o contrato de Saint-León estava por expirar e, como seus dois últimos ballets haviam fracassado, não foi renovado. Em 1870 Petipa foi elevado a primeiro mestre de ballet.

Durante o tempo em que exerceu o cargo Petipa redefiniu a forma de criar ballets em São Petersburgo, criando longas peças que valorizavam a dança em sua forma mais pura.
Em 1877 estreou La Bayadère, que com seu reino das sombras foi um ponto de transição entre o ballet romântico e o ballet clássico.

Além de criar seus próprios ballet, Petipa foi responsável por reviver ballets como Paquita, Le Corsaire, Giselle, Coppelia, La Fille mal Gardée e La Esmeralda.

Na década de 1880, com o Ballet Imperial transferido do Teatro Bolshoi de Kamenny para o Teatro Mariinsky, a Rússia conheceu o que se chama de “era dourada”, pois altos investimentos eram feitos pelo tsar e o público era exigente e muito conhecedor da arte que admirava, o que fazia com que Petipa estreasse ballets em cada temporada e que procurasse manter o mais alto nível de perfeição em suas obras.

Foi nessa era que A Bela Adormecida, considerada a obra-prima da coreografia de Petipa, estreou, em 1890.

Nessa mesma época uma mudança estava acontecendo nas técnicas dos bailarinos, que agora eram tão virtuosos quanto as bailarinas, propiciando um ótimo complemento para a coreografia de Petipa.

Em 1893 a legendária Pierina Legnani estreou o ballet Cinderella, onde executou seus fenomenais 32 fouettés. Com esse feito, além de se tornar prima ballerina assoluta, Legnani virou uma favorita de Petipa, a quem deu o papel principal de quase todos os ballets que criou a partir desse ano.

Em 1895 foi dela o papel principal em O Lago dos Cisnes, o ballet mais popular até hoje, considerado prova de fogo para a bailarina e o corpo de baile, onde repetiu sua façanha. Em 1900 o mundo conheceu sua última obra-prima: Harlequinade.

Em 1901 um novo diretor foi nomeado para o cargo de diretor do Teatro Imperial, o que causou problemas a Petipa, pois o novo diretor, Vladimir Telyakovsky, não gostava de seu trabalho, já que pensava que sob Petipa o ballet havia estagnado e que já era hora de mestres de ballet jovens tomarem seu lugar.

Aliados a essas desavenças havia coreógrafos montando modificações de seus ballets sem sua permissão, sem contar que nessa época ele sofria de uma doença dermatológica, que lhe causava dores. Tudo isso somado a uma mudança pela qual a dança clássica passava na virada do século 20 causou o retiro de Petipa.

Em 1903, ele estreou O Espelho Mágico, que contava a estória de Branca de Neve, e embora sua coreografia tenha sido reconhecida como excelente, a produção foi vista como esquisita e logo Telyakovsky anunciou que Alexander Gorky, que ele já havia contratado para montar uma versão de D. Quixote modificada, substituiria Petipa como mestre de ballet.

Como não podia simplesmente tirar Petipa do cargo, o diretor começou a sabotá-lo, fazendo de tudo para tirar seu poder sobre as montagens, a escolha dos repertórios e dos bailarinos, chegando mesmo a convocar uma reunião com pessoas influentes do Império, embora, para seu desgosto, essas mesmas pessoas tenham nomeado Petipa presidente do conselho.

Com 84 anos, doente e enfrentando um diretor desumano, Petipa ainda trabalhava, treinava bailarinos e criava variações para eles. Nessa época criou uma variação dançada pela prima ballerina Anna Pavlova: Grand Pas Classique. Nessa época também criou o Pas de Deux de Diana e Acteon.

Em 1904 seu último ballet, O Romance entre o Botão de Rosa e a Borboleta, teve estreia cancelada por Telyakovsky duas semanas antes, o que fez com que Petipa passasse a mal aparecer no teatro e na escola de ballet.

O ministro do Império, o barão Frederick, lhe deu o título de mestre de ballet vitalício e uma pensão anual de 9.000 rublos.

Em 1907 abandonou São Petersburgo para viver em Crimea, que teria um ar melhor para sua saúde.

Em 1910 Petipa morreu, com 92 anos. Em seu lugar não ficou Gorsky, mas sim Mikhail Fokine.

Em seu diário Petipa escreveu: “Posso dizer que criei uma companhia de ballet da qual se pode dizer ‘São Petersburgo tem o maior o ballet de toda a Europa’”.
Todos que têm ou tiveram o privilégio de conhecer seu trabalho concordam.

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