quinta-feira, 24 de fevereiro de 2011

Bom dia, ballet

Excelente a matéria feita pelo Bom Dia Brasil sobre Black Swan. Bravo para os jornalistas!
(via @Julianna Granjeia)

Texto original e vídeo imperdível aqui.

Tema de ‘Cisne negro’, bailarinas contam rotina de busca à perfeição

Ficção ou realidade? Em Nova York, bailarinas falam da rotina de ensaios e rivalidade retratadas em um dos filmes mais cotados ao Oscar 2011.

Até onde a arte permite a perfeição? A dança, a superação e a beleza vão estar nas lentes do mundo todo na festa do Oscar, que a Globo vai mostrar no domingo (27), depois do “Big Brother Brasil”. Um dos filmes mais falados é “Cisne negro”. A repórter Giuliana Morrone acompanhou a rotina das bailarinas no teatro retratado no filme e ouviu o que elas pensam da arte de ser perfeito.

Os pulinhos para aquecer é uma cena repetida à exaustão. Natalie Portman treinou balé durante um ano e emagreceu mais de dez quilos para atuar como a bailarina Nina.

“Eu transformei o conto de fadas do ‘Cisne negro’ em um drama psicológico moderno, uma história sexy e diferente. Eu acreditei que Natalie Portman daria conta do projeto", disse o diretor Darren Aronofsky, numa entrevista exclusiva.

Natalie – ou Nina – é escalada para desempenhar a Rainha dos Cisnes no teatro do Lincoln Center, em Nova York, e representar o Cisne Branco e o mal Cisne Negro. Nina vive o conflito entre a busca pela perfeição e a fragilidade emocional. Ela sofre com bulimia, anorexia e perde a razão. O filme dividiu bailarinos: muito exagero ou toques de vida real?

A graça dos movimentos e a suavidade das expressões mostram pouco da vida profissional de uma bailarina. Treinos exaustivos, dores no corpo e muita competição fazem parte da rotina de quem vive para o balé.

O Bom Dia Brasil acompanhou os treinos dos bailarinos do American Balé Theater. A bailarina Renata Pavan chega para a aula na barra. Ela deixou Belo Horizonte há dez anos, quando foi escolhida para dançar profissionalmente em Paris. Agora, faz parte do corpo de baile do American Balé em Nova York.

“A gente começa às 10h até às 19h. Se tiver espetáculo, das 8h às 23h. É muito, muito difícil”, conta bailarina Renata Pavan.

Renata diz que leva uma vida saudável, mas que já se cansou de ouvir histórias de bulimia e anorexia no mundo do balé. “Tem muita gente que, para se sentir bem no palco, para se sentir magra, para se sentir bonita, tem de, infelizmente, passar por essa fase de ‘O que eu posso comer?’ e ‘O que não posso comer?’”, diz.

Renata ensaia com as bailarinas que ajudaram a compor o filme ‘Cisne negro’. No filme, Jennifer aparece logo atrás de Nina, quando o diretor está selecionando quem vai disputar o papel da Rainha dos Cisnes. Na vida real, Jeniffer diz que muitas vezes não importa ser apenas uma boa bailarina.

“Tem muita política. Depende muito de quem você conhece, quem é quem. Nem sempre o balé é justo”, diz Jennifer.

A solista Sarah foi dublê de Natalie Portman. “Eu gravei as cenas de corpo inteiro e as piruetas do ‘Cisne negro’. Eles usaram o meu corpo e o rosto de Natalie Portman", conta.

Como solista, Sarah lida com a busca pela perfeição e com o fato de estar sendo observada o tempo inteiro pelo público. "Com tanta pressão, a gente é forçada a buscar um equilíbrio”, comenta.

Equilíbrio e graça levaram Maria a trabalhar como dublê de Mila Kunis, que faz o papel da adversária de Nina. Aos 30 anos, Maria já se preocupa com o futuro. “Quando a bailarina está no auge do ponto de vista artístico, quando ainda tem tanto a oferecer, o corpo já não responde mais. Você fica mais sábia, mas o corpo não fica mais jovem”, explica.

São as injustiças do balé: o Cisne Negro, o Cisne Branco, o dualismo da alma e do corpo.

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