terça-feira, 21 de dezembro de 2010

Ballet inspired

Black Swan é, sem dúvida, o filme mais esperado por milhões de bailarinos e amantes da dança. Enquanto ele não vem, Natalie Portman dita a moda em vários editoriais de revistas estilosas. Nem preciso falar o quanto amo, né? Desde pequena gosto de laços, rendas, cetim e tons rosados.
Tem muita coisa rolando nas páginas de revistas internacionais, uma amostra pode ser conferida aqui.
E aí? Quem mais vai apostar nos ballet inspired looks por aí?

quarta-feira, 8 de dezembro de 2010

Leve como uma bailarina

Acabo de ler uma matéria do New York Times, do crítico Alastair Macaulay, que está escrevendo sobre várias montagens de Quebra-Nozes dos Estados Unidos (veja aqui).

Porém, há um grande auê em torno de um review que ele escreveu sobre a montagem do Quebra-Nozes do New York City Ballet, dizendo que a Fada Açucarada, vivida pela bailarina Jenifer Ringer, parecia ter comido um doce a mais. Tanto no Facebook (onde vi o link para a matéria) quanto no próprio site do NYT, os comentários são furiosos sobre o ponto de vista de Macaulay.

Não conheço o cast atual do NYCB, mas encontrei algumas fotos e é óbvio que discordo dele. Mas eu preciso também concordar com algumas coisas do seu texto de defesa sobre o assunto, o físico dos bailarinos (o original está aqui).

Não sei se todas as bailarinas e professoras de ballet têm a mesma percepção que eu tenho, mas, da mesma forma que Macaulay, sou muito exigente comigo e com minhas alunas. Acho que elas já perceberam isso. Sempre que possível eu procuro orientar sobre alimentação, cuidados com o corpo, esse nosso instrumento. Mas eu tenho visto muito mais em sala de aula do que no espelho que alguns físicos facilitam os movimentos da dança como a gente vê hoje.

Vou explicar. Em primeiro lugar, eu dou aula para adultas que estão iniciando ou reiniciando no ballet. Não quero que nenhuma delas se machuque ou tenha problemas físicos ou psicológicos por ficarem horas em frente ao espelho lutando contra seus corpos, tendões, músculos. Elas estão ali para aprender a dançar o ballet, não para serem bailarinas. Mas eu também não posso fingir que ensino um tipo de dança diferente do que eu aprendi, que está ligado à tradição russa, com pitadas da Royal, pinceladas de Balanchine, e tantas outras influências que fizeram de mim a bailarina e a professora que sou. Não me peçam para procurar meio en dehor e um arabesque a 45 graus porque virar a perna para fora ou subi-la a 90 graus é difícil. É difícil mesmo, mas eu quero mais! E é incrível, todas estão inteiras, felizes e progredindo absurdamente.

Na época que minha mãe dançava ballet, eu sei pelas fotos, nenhuma bailarina brasileira era tão magra, nem tinha as pernas finas, pescoço comprido, zero de peito. Acho que os tutus daqueles tempos também não ajudavam, tão curtinhos, mostrando quase todo o derrière. Esta foto de Jenifer Ringer me lembra um pouco esse tipo físico. É ruim? É feio? É menos? Não, de jeito nenhum. Ou Margot Fonteyn não teria sido quem foi.







O problema é que a dança ganha outros contornos quando a Rússia começa a ditar as tendências. Injustiça com quem não nasceu lá! Eu mesma vivo falando que queria quer DNA russo, jesuis. Brigo com meu peso, que é pouco, em busca de uma forma sonhada que nunca vou ter. Peso menos de 50 quilos e por mais que eu fique louca querendo emagrecer, isso não vai me transformar na Diana Vishneva.




Vocês viram o documentário que eu postei aqui? Como as menininhas são escolhidas para entrar para a escola do Teatro Marynski? É pelo físico. Elas tem que ter corpo curto, pernas e pescoços compridos! Alguém me mostra onde pego a senha para isso na próxima encarnação?

Conheço uma pá de excelentes bailarinos que não nasceram sob tal graça e são maravilhosos. São coisas diferentes, porque uma tem a ver com trabalhar com o instrumento que você tem e outra é aproveitar o belo instrumento que você tem e chocar o mundo.

Acho inegável que esses físicos tenham mais facilidade para conseguir transformar bailarinas em bailarinas virtuoses! Essa é a diferença. E talvez tenha faltando ao senhor Macauley explicar que ele esperava ver isso no Quebra-Nozes do New York City Ballet.

Só sei que a dança tem espaço para todos, todos, todos. O que me deixa chateada de verdade é saber que muita gente desiste dela porque não nasceu do ventre da Zakharova. Com amor, carinho, dedicação, suor e les pieds plats, tudo pode melhorar. Muito inclusive o seu corpo.

segunda-feira, 29 de novembro de 2010

Lago do Cisne - Circo da China

Chega a ser bizarro e incrível ao mesmo tempo. Um Lago do Cisne circense, que não deixa de impressionar.

sexta-feira, 5 de novembro de 2010

Para Todo o Sempre

Post do ótimo Rafael Cortez (é, aquele do CQC mesmo). São algumas breves notícias da bailarina brasileira que mais me inspirou nesta vida, Andrea Thomioka.
Original aqui.


Em 2005 eu conheci uma bailarina. Chama-se Andrea Thomioka. Eu, bem leigo em matéria de balé, não sabia que ela era a grande Thomioka da dança clássica, a única brasileira a ganhar o importantíssimo prêmio em Varna, na Bulgária, a gigante que dançou Gisele, Lago dos Cisnes e tantas outras coisas mais como solista em inúmeras companhias, festivais, etc, etc. Enfim, a Thomioka é uma referência na área dela. Hoje dança Contemporâneo no Balé da Cidade de São Paulo - ato que lhe exigiu uma coragem fora do comum... E ela bancou e manda muito bem!
O fato é: conheci a Thomioka e ela me contou que estava dirigindo - junto com o ótimo Guivalde de Almeida - a Cia. Brasileira de Danças Clássicas. E que ela queria montar um balé em cima de músicas do Baden Powell, o notável violonista. Eu, por acaso, contei que tinha umas peças, compostas por mim mesmo, para violão-solo. Ela quis ouvir e isso mudou tudo. Ela curtiu as músicas e, porreta como sempre foi, me intimou: a galera dela ia dançar as MINHAS peças, não as do Baden.
Eu, claro, me amarrei. Seria tranquilo: gravar tudo em estúdio e ver o corpo de baile executando os movimentos coreografados pela Thomi de acordo com os acordes. Eis que ela me propôs algo ainda mais ousado: tocar as músicas ao vivo durante as danças.
E foi asssim que nasceu o balé "Para Todo o Sempre". Sete peças minhas, tocadas ao vivo por mim e dançadas por uma turma que fez de tudo: pas-de-deux, solo masculino, feminino, grupo, etc. Mudou minha vida. Foi por causa do balé que eu estudei mais a fundo minhas composições. Que voltei a fazer aula. Que resolvi gravar o CD para ter uma amostra do trabalho musical que o público pudesse levar para casa após as apresentações... E foi depois do balé que eu entendi qual era a minha praia com música: saquei que eu era violonista-compositor, que resolveria meus conflitos de identidade musical tocando as minhas peças e os meus arranjos para violão. Esse é o maior conflito de qualquer violonista - se encontrar no mercado musical. Serei recitalista? Arranjador? Compositor? Clássico? Contemporâneo? Me dou bem em música de Câmara? Etc, etc. Eu me achei e sigo a linha das composições e arranjos desde o trabalho com a Thomioka. Ainda que esteja meio enferrujado (mas isso é esfera de outro problema - de ordem técnica)...
O "Para Todo o Sempre" só rolou duas vezes. A gente pretendia viajar o Brasil - quiçá o mundo! - com o trabalho. Mas a equipe envolvia umas 20 pessoas, cada qual com uma agenda mais louca que a outra... e o balé exigia muita dedicação. A Thomioka pegou pesado e exigiu coisas virtuosísticas para os bailarinos e bailarinas. Releituras com o corpo de estados de espírito que eu pensei quando compus as peças. Em "Badica", só pra vcs terem uma idéia, ela fez dois homens mesclarem uma dança com duas mulheres para simbolizar a energia masculina e feminina que a Badi Assad passa nas músicas dela para mim - ela, a Badi que homenageei na composição. A Thomi se apropriou da idéia de cada uma das canções e soube bem o que cada representava. Deu forma a cada idéia através do corpo dos bailarinos. Muitas vezes se utilizou de uma licença poética, de uma liberdade de criação... Mas estava tão envolvida e consciente do que eu fiz, que acertou em cheio sempre. Parecia até que tinha composto as músicas comigo!
Os artistas do balé sofreram muito para pegar as coreografias. A Thomi, como toda boa bailarina, era muito exigente. A galera tava muito acostumada com passos clássicos e delicados, e as leituras dela exigiam jogo de cintura: força, um pouco de virtuose, delicadeza, tudo junto. Alguns movimentos eram mesmo diabólicos de difíceis.
Foi tudo muito duro pra mim tbm. Tocar em balé significa tocar com orquestra. Os bailarinos precisam da precisão musical de um metrônomo, e vc como músico não deve usar um na apresentação (claro). Era preciso tocar tudo no andamento acordado e lembrar de pausa por pausa, respiro por respiro. Em cada nota havia uma perna subindo, um rodopio, um movimento de braço, etc. Foi a coisa mais difícil, desafiante e gratificante que já fiz na vida até hj. Vejo desafios recentes que são fichinha perto daquilo. Eu tive de estudar mais que nunca, fazer shiatsu, reeducação postural (tive vários problemas de tensão e quase uma tendinite na mão direita) e estar em cada um dos ensaios - muitos, todos bem cedo por sinal, e longe da minha casa. Fora que fiz as 02 sessões no Teatro Paulo Autran, em SP, para uma platéia seleta, lotada e criteriosa. E tinha de ser sempre com a precisão de um maestro... Sendo que qualquer músico solista tem o (mau) hábito de tocar tudo muito mais rápido ou devagar qdo se apresenta. Culpa do nervosismo.
A Rede SESC-Senac de TV filmou tudo e lançou um especial do trabalho na TV Fechada. Passa até hj na Net. Volta e meia alguém me diz que viu.
Uma pena o trabalho ter sido tão exaustivo para só render duas sessões. Mas tenho tanto orgulho de mim, da Thomi e da galera que dança qdo revejo o vídeo... como demos conta, como ficou bom! E que legal ter o especial em DVD pra lembrar disso. Que bom ter essa experiência como referência de desafio. Já fui tão raçudo, posso ir muito além. Ah, e claro... uma coisa sempre puxa a outra: o balé acabou mas, em seguida, criei um duo com a Thomi. Para ela compus uma das minhas peças prediletas - "Quando Danço Com Seu Corpo". Eu tocava algo que era lido pelos movimentos dela... E isso nos levou a uma experiência única que teve seu ápice no XI Festival de Danças do Mercosul, na Argentina, qdo abrimos juntos a programação.
O que vcs vão ver é o final do balé. Toco "Elegia da Alma" e o grupo todo se reúne. Notem como é bonita e expressiva a bailarina japonesa. Chama Priscila Yokoi. Tá fazendo carreira nos EUA. A emoção dela no close que a câmera captura ao término da peça é a expressão máxima de tudo que penso e que já disse aqui sobre essa minha composição. De bônus, vcs podem me ver no cantinho da tela, no fim, e nos aplausos com a turma toda - estou com um cavanhaque, por sinal.
Um abraço!

quinta-feira, 30 de setembro de 2010

Guia de compra: meia-ponta, collants e acessórios

Como meus posts nascem geralmente das necessidades das minhas alunas e amigas, hoje vou falar sobre sapatilha de meia-ponta, collant e lojas de artigos de dança.

Por muitos anos, eu comprei collants, sapatilhas e acessórios nas lojas da Capézio e Só Dança da Rua Augusta. Da última vez que fui lá, não encontrei quase nada do que precisava, mais ainda
assim essas lojas são referência em artigos de dança, então vale a pena ligar e fazer uma visitinha. Fora que ficam perto da Galeria Ouro Fino, outro lugar ótimo para passear em São Paulo.
As sapatilhas de meia-ponta que eu mais gosto, das nacionais, são as da marca Só Dança, modelos SD 15, F 43 e F 44.

A SD 15 é lançamento e lembra um pouco a Sansha, minha preferida. Ela tem uma telinha na parte inferior, não sei exatamente qual o benefício disso na prática, mas fica linda no pé. A única coisa que eu não gosto dela é a altura do calcanhar, um pouco baixa para mim.







A F 43 foi minha preferida durante anos. Eu gosto de meia-ponta de couro porque ela é mais antiderrapante. E agarra no pé.







A F 44 é de lona, muito molinha e bacana também. Todos esses modelos são legais porque têm a sola bipartida. Depois de usá-los, fica difícil se acostumar com a sola inteira.






As sapatilhas Sansha são bem legais, e mais caras por serem importadas. Adoro o recorte em V do colo do pé. Dá para comprar em alguns sites de produtos de dança ou na loja Evolution Pirouette.




É nessa loja também que eu compro sapatilha de ponta (quando não peço diretamente da Gaynor NY) e acessórios muuuuuito legais para bailarinas, como a Chinerina e meu elástico Deuserband.










Os collants mais legais que eu tenho são de uma marca que nunca mais encontrei. Acho que a marca é Plié, mas não a da lingerie. Depois dele, meus preferidos são os da Ana Botafogo (Lolita Calliman) pelo tecido e os da Só Dança pela variedade de modelos. Mais uma vez, vale a pena pesquisar, experimentar. Os da Capezio também são bonitos, e geralmente mais baratos.








Ah, uma outra coisa que descobri e que é legal é que os bodies da marca Scala fazem muito bem as vezes de collant. E isso faz com que na aula ninguém tenha um modelito igual ao seu.








Em tempo: se você for a qualquer festival de dança, médio ou grande, reserve um dinheirinho extra para as compras de artigos de dança. É sempre onde vai mais valer a pena o investimento, dá pra pesquisar, comparar, experimentar!

Seguem alguns sites e endereços úteis. Boas compras, meninas!



Rua Augusta, 2.672
(11) 3064-7773





Nina Ballet Malhas & Figurinos
(11) 3982-7464 – ninaclaraballet@gmail.com

(11) 5083-0847

(11) 2950-4082

Loja 1: Rua Albion,364 - Lapa - Cep 05077-130 - São Paulo - SP | Tel.: (11) 3832-2328
Loja 2: Rua Albion, 202 - Lapa - Cep 05077-130 - São Paulo - SP | Tel.: (11) 3832-1082 

Rua João Cachoeira, 233 loja 2 - Itaim Bibi CEP:04535-010 São Paulo, Sp
Telefone: +55 11 3848-0303
email: sac@bailarina.com.br


quarta-feira, 22 de setembro de 2010

Misha no Brasil

Maior nome vivo da dança, Mikhail Baryshnikov traz ao Brasil o espetáculo Três Solos e Um Dueto, com a consagrada bailarina espanhola Ana Laguna. Sucesso na Europa e nos EUA, a apresentação encanta público e crítica desde a sua estreia, em 2009, não apenas pela vitalidade dos bailarinos em cena, algo pouco visto em profissionais com mais de 50 anos.

Com coreografias de Mats Ek, Benjamin Millepied e Alexei Ratmansky, a turnê sul-americana de Três Solos e Um Dueto estreia no Brasil em São Paulo (19 e 20 de outubro, no Teatro Alfa) e segue por Porto Alegre (27 de outubro, no Teatro do SESI), Rio de Janeiro (29 e 31 de outubro, no Theatro Municipal), Brasília (4 de novembro, no Teatro Nacional Cláudio Santoro) e Manaus (14 e 15 de novembro, no Teatro Amazonas), além de passar por Buenos Aires (23 e 24 de outubro, no Teatro Coliseo) e Lima (9 e 10 de novembro, no Teatro Municipal). O espetáculo marca a volta de Baryshnikov ao Brasil após uma apresentação solo em 1998 e uma excursão com a companhia Hell’s Kitchen Dance, em 2007, quando abriu o 25º Festival de Dança de Joinville.

Em Três Solos e Um Dueto, Mikhail Baryshnikov e Ana Laguna brilham em um programa de quatro peças. O primeiro é Valse-Fantasie, com coreografia do russo Alexei Ratmansky, na qual Baryshnikov dança o tema do compositor Mikhail Glinka (1804-1857), considerado o pai da música erudita russa. A seguir Ana Laguna dança uma versão de Solo for Two, criada especialmente para ela pelo coreógrafo sueco Mats Ek, com quem é casada. O terceiro segmento traz uma nova versão do incensado número Years Later, em que Baryshnikov dança à frente de imagens de si mesmo jovem, em coreografia do francês Benjamin Millepied, o principal nome do New York City Ballet. No encerramento, os dois artistas voltam juntos ao palco em Place, peça de 22 minutos coreografada por Mats Ek, na qual Baryshnikov e Ana Laguna interagem, em movimentos harmoniosos, com uma mesa e um tapete, trazendo os elementos cenográficos ao centro da narrativa.

Preciso me falar que tô tendo um treco para ir assistir? E que, justo quando ele está no Brasil, eu não estou? Arrrrrgh!


terça-feira, 21 de setembro de 2010

Piruetas

Minha professora Toshie Kobayashi sempre falou: pirueta é treino. Eu acredito que seja isso mesmo. Para girar na ponta ou meia-ponta você precisa nascer e morrer girando. Acho que tem quem goste muito disso, se sinta bem com o mundo dando voltas, e aqueles que enjoam só de ver os vídeos como o que eu acabei de publicar no meu Facebook. Para quem não gosta muito do mundo rodando, treinar fica complicado e é um trabalho árduo.

Não sou, nem teria como com meu tipo de perna e pé, ser uma bailarina de giro. Ainda mais agora em que fazer quatro piruetas e girar 32 fouettés duplos não faz o menor sentido na minha vida. Mas lembro que houve um tempo em que eu girava mais e melhor (principalmente em pas-de-deux). E em alguns breves instantes isso parecia ser muito bom! Hoje fico bem feliz de fazer uma pirueta dupla controlada (acho mais bonito que girar muito). De vez em quando estou muito no eixo e a tripla acontece quase que naturalmente. E tenho procurado fazer os fouettés mudando de direção, para ir treinando o foco e a cabeça. Tudo na brincadeira, não esperem isso de mim no palco, hahaha!

Mas se quiserem se inspirar, vejam mais no meu Facebook (podem me adicionar, só deixem um recadinho, ok?).

sexta-feira, 27 de agosto de 2010

Troca tudo!



Acabei de ver o jornal Metro aqui no trabalho e lembrei que não posso deixar de comentar de Les Ballets Trockadero de Monte Carlo.



Para quem não tem idéia do que estou falando, os Trocks surgiram, em 1974, no circuito off-Broadway de Nova York como um grupo de homens bailarinos que dançam, nas pontas dos pés, papéis exclusivamente femininos. Com técnica apurada, eles conseguem dar aos ballets clássicos de repertório maior virtuosismo, já que alguns passos, piruetas e saltos são considerados difíceis para mulheres, mas os homens fazem com facilidade. E daí nasce a piada, porque os bailarinos fazem cara de que nada está acontecendo enquanto se jogam nos papéis de Paquita ou Odete/Odile no Lago do Cisne, entre outros, com figurinos fiéis ao estilo, levando em conta a tradição clássica, mas com adereços inusitados e muito humor. E, o melhor, com um físico masculino usando sapatilha rosa tamanho 44!

É possível, por exemplo, ver um cisne se depenando todo, uma Paquita de óculos gatinho e as bailarinas do Grand Pas-de-Quatre de Pugni se provocando no palco tal qual Lucile Grahan, Carlotta Grisi, Fanny Cerrito e Marie Taglioni devem ter desejado fazer em 1845, quando esse ballet foi criado para elas, as maiores estrelas da época.


Há quem pense que tanta comédia e purpurina tenham feito do Trockadero uma companhia travestida e não muito séria. Grande engano. Os artistas têm formação profissional e fizeram parte de grandes companhias de dança de vários países. Mas agora se dividem papéis masculinos e femininos e adotam perfis como Velour Pilleaux/Ida Nevasayneva, nomes de guerra (e trocadilhos deliciosos) de Paul Ghiselin, um dos meus preferidos.

É comum os Trocks caírem das pontas ou dançarem contemporâneo ao som do estouro de papel-bolha, provocando todos os "segmentos" dançantes. Mas seja qual for a idéia, eles fazem mais ou menos o que querem e aquilo que todos que dançam fazem escondidos atrás das cortinas rindo muito. Verdadeira arte.


Amostra grátis de uma Morte do Cisne hilária, com a grande Ida Nevasayneva


Final de Paquita

Vale a pena visitar o site.

Vale a pena ver ao vivo: Teatro Bradesco, de sexta-feira (27) a domingo (29).



quarta-feira, 18 de agosto de 2010

Black total

Bailarinas e bailarinos, atendendo a pedidos, e seguindo dicas preciosas de minhas alunas queridas, Clóris (chefa, amiga, pé de colo incrível!!!) e Bárbara (dedicada master, as unhas mais coloridas de Manhattan), aí vão alguns vídeos da estreia mais esperada do ano:
Black Swan.
E, só para lembrá-las e mostrar um pouco do que eu acho que é a origem do filme, aí vai também um pedacinho do meu cisne preferido de todos os tempos, seja preto ou branco, a grande Yulia Makhalina. Quem faz minha aula tem que saber que a música do primeiro exercício da barra é o adágio do pas-de-deux do Cisne Negro. E nunca mais um plié será o mesmo, certo?

O filme:



E de onde ele vem:



Para saber mais:
O ballet O Lago do Cisne é o clássico dos clássicos. Com a sublime música de Tchaikovsky e libreto de Vladimir Begitchev e Vasily Geltzer, foi encomendado pelo Teatro Bolshoi em 1876. A história beeeeeem resumida é a seguinte: o príncipe Siegfried está completando 21 anos e precisa escolher uma noiva. À noite, ele resolve sair para caçar. Ao se aproximar de um lago repleto de cisnes, vê que eles se transformam em jovens princesas. Odette, a Rainha dos Cisnes, dança com Siegfried e lhe conta que ela e as outras princesas são vítimas do feiticeiro Rothbart, que as condenou a viver como cisnes durante o dia, só voltando à sua forma normal da meia-noite ao amanhecer. E o encanto só se quebrará quando um jovem de coração puro lhe jurar fidelidade. O príncipe declara seu amor e convida-a para o baile do dia seguinte, onde quebrará o encantamento, escolhendo-a para ser sua noiva.
No baile, a Rainha-Mãe lhe apresenta seis princesas, mas ele se mostra indiferente, esperando ansiosamente por Odette. Um nobre chega num estrondo, na verdade é Rothbart disfarçado com sua filha, Odille, disfarçada de Odette (o cisne negro, sacaram?). Siegfried dança com ela, enquanto o cisne branco, na janela, tenta inutilmente chamar sua atenção. O príncipe anuncia que já fez sua escolha, e só então percebe que ainda não era meia-noite e aquela não poderia ser Odette. Desesperado, Siegfried corre para o lago, onde encontra Odette. Os amantes se jogam no lago, e nesse momento, a magia é quebrada.
Bom, acho que aqui talvez haja algumas pistas para o que vai ser o filme. Eu acho o tema do Lago atualíssimo. Ele pode parecer um conto de fadas, mas há grandes reflexões mascaradas nos cisnes. É o bem lutando contra o mal. A arte da sedução, o amor, tudo aquilo que a gente vive hoje, vai viver sempre.

A trama do filme Black Swan, ambientada no mundo do New York City Ballet, traz Natalie Portman como Nina, uma bailarina que não consegue distinguir se sua rival, vivida por Mila Kunis (Ressaca de Amor), é real ou uma ilusão. No elenco: Winona Rider e Vincent Cassel. Black Swan está previsto para estrear ainda este ano.
Pode ser impressão minha, mas acho que vamos encontrar vários elementos do libreto original do Lago aqui.




Para terminar, um pouquinho sobre Yulia Makhalina, a moça do segundo vídeo aí de cima. Ela foi a primeira de uma nova safra de bailarinas Kirov, no início dos anos 90, diferente das gerações anteriores, pela altura e magreza (raivaaaaaaaa), e apelidada de "dream team do Kirov". Tecnicamente brilhante, especialmente em suas aberturas, Yulia deu nova vida às interpretações dos clássicos. Sua Odette tem uma dimensão trágica, mas extremamente chique. E sua Odille é sedutora, sem ser caricata.


Espero que tenham gostado dos meus cisnes negros.

quarta-feira, 11 de agosto de 2010

Entrechat

Estou chocada com os entrechats da variação do menino do vídeo.
Vale a pena ver estes trechos do pas de trois de O Lago do Cisne.



ENTRECHAT - Termo provavelmente originado do italiano capriola intrecciata, ou seja, cabriola cruzada. Um salto de quinta posição no qual o que o bailarino, no ar, cruza as pernas uma, duas, ou três vezes. No entrechat quatre, six e huit o bailarino cai de volta sobre as duas pernas; no entrechat trois, cinq e sept ele cai de volta em cima de uma perna só, a outra ficando em coupé derrière ou devant. O entrechat deux é conhecido como changement battu ou royal.

sexta-feira, 6 de agosto de 2010

A Cinderela melindrosa de Nureyev

Frederick Ashton foi responsável pela Cinderela de Rudolph Nureyev. Explico: em 1965 ele foi convidado por Nureyev, então diretor da Ópera de Paris, para remontar sua versão para o Royal Ballet.
O pedido foi recusado, assim Nureyev embarcou em uma nova montagem: a sua. Suas primeiras ideias eram convencionais, mas o designer escolhido, Petrika Ionesco (lembro desse nome na Faculdade de Letras), sugeriu transpor a história do conto de fadas para o mundo do cinema.
Como relatado pelo Sr. Ionesco, Nureyev não concordou no princípio, mas, em seguida, abraçou a ideia. Afinal de contas ele era um ávido fã de filmes de amor do cinema dos anos 30, Hollywood, musicais, Fred e Ginger, e, especialmente, Charlie Chaplin.
Cinderela chegou ao palco em 1987 com Sylvie Guillem no papel-título.
Neste cenário, a parte central do corpo de baile é fixada em um estúdio de cinema, a fada madrinha é transformada em um produtor de cinema (interpretado por Nureyev na produção original), o baile se torna uma filmagem caótica, o príncipe torna-se o belo ator.

No primeiro ato, Cinderela, ainda Gata Borralheira, aparece olhando sonhadoramente para um cartaz de cinema de Chaplin, O Garoto. Essa é a primeira de muitas referências cinematográficas: há também um pouco de Chaplin em uma pequena variação em que Cinderela só veste as calças folgadas e chapéu-coco e dança para si mesma, um King-Kong, um item burlesco, uma sequência de Fred e Ginger, as aparências do Keystone Cops e Groucho Marx, e muitos episódios do tipo. A "fada madrinha" aparece no palco vestida como um aviador (talvez uma referência Howard Hughes).

O grande inimigo dos dançarinos é o tempo. Nureyev sentia isso profundamente e lutou contra o passar dos anos para manter sua carreira. Esse tema surge fortemente em Cinderela - e é enfatizado por Nureyev. Vem a meia-noite, Cinderela tenta fisicamente parar o relógio gigante que domina o palco, no final do Ato II. Anteriormente uma figura Mae West se transforma em uma mulher corcunda de idade como uma espécie de aviso e, mais tarde, no Ato III, Cinderela reluta em assinar o contrato do filme até que o produtor lembra que a juventude e a beleza são transitórios.

O terceiro ato abre com o filme Star. O produtor induz Cinderela a assinar o contrato. Um triunfo do amor, um triunfo sobre o tempo, mas também um triunfo do mercantilismo: parece que o motivo principal da fada madrinha é conseguir esse contrato.
A reformulação da história de Cinderela em um cenário de Hollywood é bem sucedida e é engenhosamente manipulada, embora alguns dos detalhes sejam fáceis de perder. O fato de ver nesse vídeo tudo o que aprendi sobre a Belle Époque, a Semana de Arte Moderna, e bailarinas melindrosas destemidas vale o clique. Eu não gosto muito do ballet Cinderela, nenhuma das versões me faz querer aprender desesperadamente a coreografia. Mas ainda estou babando com essa riqueza de detalhes, figurino e história por trás do conto de fadas que toda menina adora, seja Disney, seja Hollywood, seja Ópera de Paris.

terça-feira, 27 de julho de 2010

Só a bailarina que não tem?

Quem mais acha que bailarina de verdade tem um quê de bagaceira?
Achei legal o jeitão da Alinne Moraes indo hoje para sua aula. Bailarina de verdade é assim.
Chico Buarque e Edu Lobo que me perdoem, mas, se no imaginário popular somos perfeitas, na realidade mesmo somos bem mais que isso, hehehe.


Quem não tem meia rasgada que atire a primeira pedra!
(foto: Ego)

segunda-feira, 26 de julho de 2010

Dancers Among Us II

Já falei aqui do incrível trabalho do fotógrafo Jordan Matter com bailarinos no meio das pessoas normais.
Agora mais fotos exclusivas, direto do Muito Legal.







Veja também:

Dancers Among Us
















domingo, 11 de julho de 2010

Kitrys

Para minhas alunas do curso de férias da Danz'Arte, a quem estou ensinando a variação de Kitry (a do leque), algumas opções de remontagens.
Basicamente, o que difere uma da outra são braços e as transições de um movimento a outro. Ah, sim, e o tempero que cada uma coloca em sua "Quitéria".
De qual vocês gostam mais?






quinta-feira, 1 de julho de 2010

Barra a terre

O ballet é uma arte atlética que vai dando ao bailarino inúmeras oportunidades de passos e combinações entre eles. Mas eu gosto mesmo é de detalhar o movimento. Acho que mais importante do que saber girar 32 fouettés é fazer uma pirueta bem feita, limpa. Daquelas que você vê o pé saindo da quinta posição, passando pela meia-ponta, subindo em um retiré perfeito, braços e cabeça alinhados.

Bem, uma das maneiras que aprendi e que encontrei em mim mesma de melhorar cada passo foi com as aulas de Barra a Terre.

Essa técnica, que aprendi com a professora Miti, utiliza o próprio peso do corpo para o desenvolvimento da força e resistência muscular. Nela você executa os mesmos passos da barra, só que no chão, com as costas apoiadas, e com isso consegue jogar a atenção apenas naquilo que está trabalhando: glúteos, abdominais e pernas.

Costumo dizer que é uma musculação, pois dá para sentir de verdade o trabalho muscular. E depois de cada aula minhas alunas mostram na barra mesmo e no centro o quanto valeu a pena. Aprender o caminho do movimento faz toda a diferença!

Bem, lembrando disso, publico aqui uma matéria da Folha de S. Paulo que foi feita na época em que eu era da Cia de Dança da BioRitmo, sob a direção de Fernanda Chamma (a mesma que está sempre no júri técnico da Dança dos Famosos do Faustão). E tenho uma história engraçada para contar...

Quando avisaram que a Folha ia fazer uma matéria com a gente, ficamos empolgadas! A gente que dança é aparecida por natureza. Gosta mesmo de sair em fotos, ainda mais se for fazendo o que gosta. Então foi um tal de botar o pé na cabeça, de fazer as aberturas mais lindas que existem, no melhor estilo Cirque du Soleil. Tudo pra sair bem na foto. Percebi, de cara, que o fotógrafo gostou de mim. Eu tenho a perna em xis e sei fazer uso dela para mostrar as minhas melhores linhas de bailarina.

À noite, depois do trabalho, liguei para toda a família dizendo que era muito possível que eu saísse na Folha de São Paulo no dia seguinte. Bom, o dia seguinte demorou para aparecer. Mas quando veio trouxe consigo a surpresa. Ali, no caderno de esportes, EU fui a queridinha do maldito fotógrafo que me colocou em primeiro plano, com a cara enfiada no meio das pernas, pra não dizer coisa mais indecente. Ninguém sabia se aquilo era um caramujo, um frango assado ou um polvo.

O pior é que as pessoas perguntavam como saber se era eu mesma e, pela primeira vez na vida, tive vontade de dizer que não era. Mas me reconheceram por um anel que eu usava e foi a única coisa visível na confusão de pernas e bunda.


Podem acreditar. Isso aí sou eu.

segunda-feira, 21 de junho de 2010

Kitry

Sabadão hard work. Sabe quando você começa a gostar de uma variação que aparentemente não tinha nada a ver com você? Então... mas ainda não achei o andamento ideal para mim. Ensaio de palco foi ótimo para quem só ensaiou um dia. Mas na hora achei o final truncadinho. Ossos do ofício. E precisando botar a Gaynor nova para trabalhar.

Sombras

Minhas estatuetas dançando na parede.

sexta-feira, 18 de junho de 2010

Dulcineia

Quem tu és não importa, nem conheces
O sonho em que nasceu a tua face:
Cristal vazio e mudo.
Do sangue de Quixote te alimentas,
Da alma que nele morre é que recebes
A força de seres tudo.

José Saramago, a quem dedico minha variação de Don Quixote amanhã.

quinta-feira, 10 de junho de 2010

São Paulo Companhia de Dança convida para Oficina Intensiva de Balé‏

Oficina Intensiva de Balé Clássico.
Ministrada por Boris Storojkov na sede da São Paulo Companhia de Dança.

Acontecerá em São Paulo, na sede da SPCD, que se localiza na Rua Três Rios, 363.

A oficina será do dia 12 ao dia 15 de julho, das 18 às 20 horas.

São 35 vagas para nível intermediário-avançado.

A inscrição é através do email: educativo@spcd.com.br , encaminhando os dados cadastrais e telefone para confirmação.

Não percam!


Meu dedo mindinho não daria, mas o baço tá valendo para ter tempo para fazer essa oficina!

segunda-feira, 24 de maio de 2010

Pas-de-deux Diana e Actéon - a verdade por trás do mito

A história do pas-de-deux Diana e Actéon é uma lenda grega. Em todos os sentidos. Algumas versões sobre sua origem dizem que ele foi coreografado por Marius Petipa, e fazia parte originalmente de sua remontagem do ballet La Esmeralda, de Jules Perrot. Em 1931 Agrippina Vaganova teria recoreografado a peça nos moldes que conhecemos hoje.

Porém, há quem diga que ele nasceu de uma passagem de Le Roi Candaule, um divertissement conhecido como Pas Diane, ou Les Amours de Diane, a partir do Ato IV. Hoje em dia o pas-de-deux Diana e Actéon tornou-se uma peça popular no repertório das companhias de balé, assim como no circuito da competição de ballet, e esse equívoco de suas origens se espalhou a partir do boca-a-boca.

Na versão de Petipa, o Pas de Diane era um pas de caractère baseado em personagens retirados da mitologia grega. O pas original consistia na personagem Diana (ou Artemis), a deusa virgem da caça, o caçador Endymion, um sátiro e oito ninfas. Petipa formou o Pas de Diane como um clássico Pas de Trois - constituído por uma Entrée, um Grand Adagio para os três solistas e oito ninfas (mulheres do corpo de ballet), dança para as oito ninfas e sátiro, variações de Diane e Endymion, e uma Grand Coda.

Em 1931, Agrippina Vaganova teria ressuscitado a versão de 1903 de Petipa, aí sim inserindo-a no relançamento da versão de 1932 de La Esmeralda para o Ballet Kirov. Por razões ainda não totalmente compreendidas, na versão de Vaganova, Endymion foi alterado para Actéon - uma mudança que é bastante incorreta no que diz respeito ao mito real e ao ballet original de Petipa (no mito Actéon lança olhares sobre o corpo da virgem Diana enquanto ela se banha com as ninfas. Como castigo por isso, Diana tira sua fala, acrescentando a condição de que, se tentasse falar, seria transformado em um cervo. Ao seu próprio grupo de caça, ele tenta gritar, e é assim transformado. Seus cães de ataque o matam em seguida).

A nova coreografia de Vaganova aumentou o número de ninfas de oito a doze. Os dançarinos Galina Ulanova e Vakhtang Chabukiani foram os primeiros a realizar nova versão da peça, que foi renomeada como o pas-de-deux Diana e Actéon, um marco importante e repertório de companhias de ballet de todo o mundo (fora da Rússia, a peça é mais frequentemente realizada simplesmente como um pas-de-deux, sem o corpo de ballet), e é a única peça restante do ballet Tsar Kandavl / Le Roi Candaule.



Versão mais comum, com Larissa Lezhnina e a louca do Farukh Ruzimatov :)

sexta-feira, 14 de maio de 2010

quinta-feira, 13 de maio de 2010

Tchaikovsky Pas-de-Deux na Virada Cultural

A Virada Cultural de São Paulo traz, às 17h do dia 16/5, uma surpresa no palco da Estação da Luz: pela primeira vez em parceria com a Orquestra Sinfônica do Estado de São Paulo (OSESP), a Companhia de Dança de São Paulo traz um casal de bailarinos que apresentará o ‘Tchaikovsky Pas-de-Deux’, de George Balanchine.

Realizada primeiramente pelo New York City Ballet, em março de 1960, a coreografia de Balanchine, de oito minutos, mescla técnicas clássicas e também neoclássicas, homenageando o balé romântico. Dificuldades quanto ao eixo vertical, a velocidade, o domínio do equilíbrio e também os grandes saltos são algumas das características desta coreografia.

A música e a coreografia são lindíssimas, eu já ensaiei esse pas-de-deux e não pude dançar, porque simplesmente quem quisesse tinha que pedir autorização para a Fundação Balanchine. Mas tem muito mais história na história desse pas-de-deux difícil pra caramba, mas que dá gosto de dançar.

Tudo começou com a montagem original do Lago do Cisne. Sim, o grande clássico de todos os tempos. Tchaikovsky já havia composto um pequeno ballet chamado The Lake of the Swans para ser encenado por sua família e o famoso tema dos cisnes foi tirado dessa pequena pantomima. Então foi chamado para compor a música de um novo ballet para o Teatro Imperial Bolshoi de Moscou e a primeira montagem teve coreografia de Julius Reisinger.

Sabe-se que os ensaios foram difíceis, uma vez que Reisinger achava a música de Tchaikovsky inadequada para o ballet. O compositor passou ainda dissabores com a primeira-bailarina Anna Sobeshchanskaya, que não gostava de sua música, assim como da coreografia de Reisinger e foi procurar com Petipa um novo pas-de-deux com música de Leon Minkus (naquela época era comum que bailarinas buscassem peças adicionais para alimentar seu ego). Tchaikovsky não aceitou, já que não permitiria música de outra pessoa em seu ballet, e concordou em fazer um novo pas-de-deux, com música baseada na de Minkus, já que Sobeshchanskaya não queria ter que viajar de novo até Petipa para que ele coreografasse novamente.

A música que ficou de fora da montagem original recebeu coreografia de Balanchine e hoje é conhecida como Tchaikovsky pas-de-deux.

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É difícil achar vídeos do ballet, mas se alguém quiser ver a versão mais linda do mundo, deve procurar com a bailarina Darcey Bussel.
Não menos bonito é o de cima, com Adiarys Almeida & Angel Corella.

A dança na Virada Cultural:

Estação da Luz: Orquestra
17h00 - Tchaikovsky Pas de Deux – São Paulo Cia de Dança e Osesp

Estação da Luz: Palco da Dança

19h30 - Abertura do Palco da Dança – Homenagem a Roseli Rodrigues / Raça Cia de Dança de São Paulo

19h50 - Tango Sob Dois Olhares – Raça Cia. de Dança de São Paulo

21h00 - Diários de Viagem – Omstrab

23h30 - Gnawa – São Paulo Cia de Dança

01h10 - Baseado em Fatos Reais – Ângelo Madureira e Ana Catarina Vieira Cia de Dança

02h20 - Diálogo – Jean Abreu e Guga Stroeter

03h00 - Embodied Voodoo Game – Cena 11 Cia. de Dança

05h00 - She´s Lost Control – Cia. Vitrola Quântica

06h15 - Corpo de Passagem – Grua

08h30 - O Sonho – Corpo de Baile Jovem da Escola Municipal de Bailado

09h00 - Yin – Stacattospciadança

11h30 - Nordeste, a Dança do Brasil – Balé Popular do Recife e Antúlio Madureira

14h30 - Kathak Teen Taal – Kanchan Maradan

15h15 - Danses Concertantes, Sabiá e Forrolins – Cisne Negro

17h10 - Kathak Dhamaar – Kanchan Maradan

18h00 - Canela Fina – Balé da Cidade de São Paulo


Veja mais aqui.

terça-feira, 4 de maio de 2010

Dancers Among Us

Dancers Among Us é uma coleção de fotografias de dança em NY com bailarinos da Paul Taylor, Mark Morris e Martha Graham Cias de Dança. Esse é um projeto que começou na primavera de 2009. Não houve trampolins ou outros acessórios utilizados nas imagens, apenas milhares de horas de treino.

Achei a muito legal a ideia de pensar que há bailarinos entre nós. Fora que amo NY e tô me coçando pra assistir ao musical Billy Elliot, que aparece anunciado em uma das fotos. Uma semaninha lá faria milagres por mim, hehehe.

Veja mais no site do fotógrafo Jordan Matter.





quinta-feira, 1 de abril de 2010

A Bela Adormecida

Estão aí as fotos de A Bela Adormecida do ano passado.
Eu fazendo o papel de Aurora.

Nascimento de Aurora

15 anos













Acidente com a agulha

Soooooofre!



Depois do beijo, o príncipe é apresentado ao rei e à rainha

Pedido de casamento

Variação do casamento









Coda



Reverence do final - com Cris Shimizu